Relatos de viagens ciclísticas.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Dia nove (31/07/2006): em Genève


Antes de mais nada tenho que ressaltar minha decepção para com o erro ocorrido comigo. Ao comprar a passagem falei que iria levar a bicicleta, a moça que me vendeu disse que eu poderia levar sem problemas, mesmo no trem da Suíça, porque não tinha trem direto, tive que parar numa estação e pegar outro. Parei em Basel, já é território Suíço, o que nos obriga a passar pela Polícia Aduaneira e mostrar o passaporte, mas tranqüilo, mesmo com a bike.
Quando peguei o outro trem, aí que foi a desgraça, a moça pediu o bilhete, mostrei e ela disse que eu não poderia levar a bike na horizontal como estava, aí eu disse que tinha muita bagagem, mas ela disse que precisava da passagem livre e tal, tudo bem, tirei tudo e pendurei a bike. O problema foi quando ela me pediu a reserva pra bike. Eu lá vou saber de reserva pra bike... Só sei que tive que pagar 32,12 euros porque estava com a bike ali. Isso deve ser o preço da passagem. Sem contar que na Suíça eles só falam em francos suíços, ou seja, o cara que chega de fora com euros pode até usar pra pagar, mas o problema é a taxa de conversão que cada um faz. Por exemplo no albergue, sei que acabei pagando mais do que valia, mas é a vida. E o troco, em francos suíços, claro. Peguei essas moedas e gastei em uma lembrancinha e pra usar a internet. Não ia guardar moeda (5 francos na vaquinha e mais 1,5 pra usar 14min de internet) de recordação, sendo que eu precisava usar a internet mesmo. Foi bom porque pude ler o e-mail que o meu amore mandou já do Brasil e o endereço do albergue de Lyon. Não fiz reserva, mas acho que não terei problemas. Queria ver se a Amanda tinha enviado o endereço, mas nada. Ou seja, perdi mesmo a viagem. E ainda nem tinha muito sol, no final da tarde começou a chover, foi um horror. A única coisa que compensou realmente foi o fato de eu ter visto muitos carrões, Ferrari, Lamborghini, Porsche, Jaguar e Mercedes classe E era popular, o que contava era a classe S mesmo.
A cidade estava toda cheia de parque de diversão e barracas, não sei bem porque, só sei que tava feio, sujo e não dava pra ver nada direito da cidade. No centro antigo até era legal, mas com a chuva, nem vi muita coisa.
Sem contar que a cidade recebe gente dos mais variados pontos do planeta, então fica aquela coisa linda.
O que mais achei interessante, mais mesmo que os carros, foi ver a cultura muçulmana de perto. Com as mulheres cheias de coisas, outras cobertas completamente, apenas com os olhos de fora e a roupa toda preta, parecem vultos andando pela rua. Uma coisa muito estranha. E vi também outras maquiadas e perfumadas, outras dirigindo Mercedes.
Gostei do parque que fica na borda do lago, lá tava bem legal. Só que seguindo mais adiante já tinha aquele monte de barraquinhas brancas, gente pra tudo que era lado, uma coisa de louco. Fiquei até com receio de andar com a câmera por lá, no pescoço, mas não tive problemas. Digo isso porque assim que cheguei na estação fui comprar a passagem para Lyon. Entrei na fila e veio um homem muito simpático falar comigo, achei que ele quisesse saber alguma coisa, mas ele queria me vender um bilhete que dava direito a ir pra qualquer lugar por 50 francos suíços, mas só naquele dia. Então não entendi direito o que era, mas me pareceu uma coisa muito estranha e o cara logo se foi. Comprei minha passagem na cabine normal mesmo e assim dá certo.
Não andei muito por lá, 21km em 2h20 de pedal, mais o tempo que fiquei parado e o tempo que andei a pé depois.

Oitavo dia: rumo a Genève

Acordei cedo, lá pelas 7h, arrumei o resto das coisas e fui tomar café. Quando cheguei lá estava sozinho, mas uns minutos depois quem apareceu por lá? Sim, o ser estranho. Mas nem dei bola, porque sabe Deus de onde saiu aquilo. Tomei café rapidamente pra não me atrasar, peguei dois potinhos de doce pra comer com pão mais tarde. Porque se eu for comprar, terei que comprar um grande, e ficar carregando isso por aí é ruim, por isso compro o que irei consumir no dia ou até o próximo no máximo, mais que isso fica difícil de levar na bike, não tenho muito espaço sobrando. Depois me despedi do senhor alemão e coloquei tudo na bike. Em menos de 10 minutos cheguei a Gare Centrale, procurei de onde sairia o trem, tive que subir uma escada rolante com a bike e cheio de bagagens, mas foi só acionar o freio e deu tudo certo. O problema ficou por conta do bilhete que esqueci de fazer a compostagem, ou sei lá qual é o termo em português. Tive que voltar por uma escada normal, mas pra baixo todo santo ajuda, fiz o negócio e subi novamente. Procurei em qual vagão eu poderia levar a bicicleta, descobri que era em qualquer vagão, mas o problema é que ela ia na vertical e eu cheio de alforjes e bolsas, deixei ela na horizontal mesmo, o cara veio encher o saco falando que tava trancando o caminho, aí dei uma ajeitada nela, tirei a bolsa do guidão e deixei assim mesmo.
Nisso eu já estava suando tanto que devo ter perdido uns 3 litros de água só nessa ida até a Gare e feito a arrumação da bike.

Mas as poltronas eram bem confortáveis e pude me sentar próximo a porta pra olhar a bike.
O trem passou devagar próximo a uma cidade e tinha um trem carregado de BMWs, o trem ia passando e as BMWs do lado, lotado, devia ter uns 14 vagões com carros, de todos os modelos.
Aí veio o cara do bilhete checar o meu, ele falou qualquer coisa, só entendi que ele falou: passaporte. Aí lá fui eu pegar o meu passaporte na bolsinha, entreguei a ele, checou e agradeceu, sem problemas.
Estou escrevendo isso dentro do trem mesmo, é bom pra passar a viagem mais rápido, já que não tem muito o que fazer alem de esperar e ver a paisagem verde varrido.

Cheguei em Basel, já é Suíça, passei pela fronteira aduaneira, olharam o passaporte e liberaram. O problema é que a maioria fala em alemão aqui, fica meio difícil entender as coisas, é tudo em alemão, mas tem também em francês, mas acho que eles não gostam muito aqui.
Mas uma coisa é certeza, em qualquer cidade que se vá, sempre vai ter a igrejinha, o carteiro de bicicleta amarela, muitas flores, casinhas meigas, museu de alguma coisa e uma linha de trem. E claro, habitantes defendendo sua região como a melhor, com alguma coisa específica da região. Aqui em Basel, por ter influência alemã, mais do que em Strasbourg, tem muita vendinha de Döner Kebab, agora que conheço não passo mais fome, gastando pouco ainda.
Depois de ter encontrado o trem que vai para o aeroporto de Genève, esperei ele chegar. Uns 15 minutos antes da partida ele parou na estação. Dessa vez entrei no último vagão pra não ter problemas em trancar passagem de ninguém, espero que tudo ocorra bem. Dessa vez acho que vou sentado em frente a ela mesmo, tem um banquinho de madeira, não é muito confortável, mas a viagem não demora tanto assim também.
E pontualmente as 11h05 o trem se prepara pra partir. É uma coisa de louco como isso funciona pontualmente. Pelo menos tenho uns mantimentos comigo, chegando lá compro a passagem pra Lyon, deixo as coisas no albergue e dou uma volta pela cidade.
Os trens que peguei de Strasbourg até Genève eram bem melhores do que o que peguei de Paris a Nancy. Mas por mim, tanto faz, chegando lá tá bom.
Só espero poder usar a internet de graça no albergue ou pelo menos achar um lugar com wifi. Se bem que preciso transferir as imagens da câmera para o SD do PocketPC. Bem que a Amanda poderia ter enviado o endereço dela, vou ver se procuro na lista, mas acho difícil ter o sobrenome delas lá, elas devem morar de aluguel. E também nem tenho tanto tempo assim.
É muito interessante como em apenas 1h e pouco de trem muda tanto o idioma e a cultura. Aqui na Europa realmente é uma coisa de louco o tanto de coisas diferentes que se tem pra aprender, fazer, ver, não tem como ficar parado, tudo inspira mobilidade, conhecimento e cultura.

Eu na minha, só esperando o trem chegar a Genève, a mulher com cara de militar pede o bilhete, entrego à ela. Ela pergunta, então se a bicicleta é minha, acho que seria o óbvio, só eu lá no vagão inteiro. Mas tudo bem, é sempre bom confirmar. Aí ela me pede o bilhete da bicicleta. E eu sem entender nada... Ela disse que precisa de reserva pra bicicleta, mas eu nem sabia disso, quando comprei a passagem disse que levaria a bicicleta e a moça que me vendeu disse que eu poderia transportar sem problemas. Paguei mais 32,12 euros, só pra levar a bicicleta... Mas como assim!??!?! Que boston, desse jeito não tem como economizar. Vou ter que alterar o roteiro novamente pra fazer mais em pedal mesmo. Visitar menos cidades grandes e ir direto pra pontos mais distantes. Acho que o fato da Amanda não ter enviado o e-mail com o endereço já foi um sinal pra eu não me meter a besta na Suíça, mas agora é aproveitar e ver no que dá, pelo menos já tenho o albergue reservado, só não sei quanto custará em euros, porque eles trabalham com francos suíços, apesar de aceitarem euros e darem o troco em francos suíços. Amanhã vou pra Lyon e depois nem sei mais... Terei que pensar em algo.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Sétimo dia: em Strasbourg

Acordei relativamente cedo, mas com preguiça de sair da cama, denovo. Porque de manhã fica fresco e é a única hora que dá pra dormir bem mesmo, fazer o quê?!
Logo depois que levantei, o meu amigo gaúcho também levantou. Fomos tomar café da manhã juntos e conversamos mais um pouco, é sempre bom poder se comunicar utilizando a língua materna, aquela que sabemos melhor todas as gírias e tudo mais. Ele me deu uma boa dica que segui, comer um Döner Kabeb, é como se fosse o nosso X-Salada, pela função social, mas ele é a base de carne que fica num espeto, aí tira-se umas lascas, muitas lascas, acrescenta-se repolho, cebola, umas coisas assim e um molho que é tipo um iogurte natural, fica excelente e grande e enche e alimenta mesmo, tudo isso por 3,5 euros, muito bom.


O primeiro Kebab a gente nunca esqueçe...

Durante o café da manhã eu percebi um ser esquisito próximo a nós, a princípio achei que fosse uma mulher, mas era um homem mesmo, bizarro. Mas tudo bem, cada um na sua.
O meu amigo foi embora e eu me preparei pra fazer o tour na cidade. O problema é que como hoje era domingo, não tinha muita coisa aberta e nem muita gente na rua, mas por mim tanto faz, não iria comprar nada mesmo e menos gente e menos carro na rua é melhor pra andar. Mesmo assim fiz belas imagens e tinha muito turista, principalmente alemão, na parte da cidade chamada Petite France, onde ficam os principais pontos turísticos da cidade. Filmei tudo por lá, tudo lindo, eu queria filmar mais e mais, cada detalhe, mas era muita coisa. Daria pra fazer um documentário de 5h só sobre Strasbourg, assim como sobre Paris e sobre cada cidade daqui, porque todas tem muita história pra contar.
Mas eu tinha que continuar a filmar outras coisas. E em frente a uma igreja eu encontrei um cara com uma bike Tandem de 3 lugares, fui logo me aproximando dele e perguntei de onde ele era. Rússia! Muito interessante isso por si só. E o mais legal é que ele viaja assim, de bike, com a mulher e a filha. Não tive dúvidas, peguei a câmera e entrevistei o casal, acho que vai dar um toque bem legal no documentário. Isso é tão interessante, em cada cidade, em cada vilarejo, em cada lugar acontece alguma coisa ou eu conheço alguma pessoa interessante e isso é muito bom. Porque todos estão aqui só pra curtir a vida, uma aventura, viajar, conhecer lugares, então eu posso andar a cidade toda, em qualquer lugar mesmo, com as coisas na bolsa, a câmera eu deixo pendurada no pescoço direto pra facilitar na hora filmar, e ninguém incomoda, ninguém enche o saco, ninguém quer roubar. Claro que não dá pra facilitar, mas é muito mais tranqüilo. Também, pelo tanto de turistas e pessoas com câmeras muito melhores que a minha, pra que roubar!? Bikes, carros, todo mundo tem aqui, então não existe essa desigualdade louca que nem no Brasil, onde uns morrem de fome e roubam qualquer coisa pra comer, matar pra poder comer. O Eduardo, meu companheiro de quarto de ontem a noite, disse que já dormiu em praça e tal, imagine fazer isso no Brasil, além de ser assaltado, vai chegar a polícia achar que é morador de rua e sabe-se lá o que pode acontecer. Mas enfim, continuemos com os relatos daqui.
Fui filmando, nem olhava no mapa, só na lista de coisas a filmar, porque era só ir seguindo as placas, quase como uma trilha turística. Pouco depois do meio dia, o café da manhã já não fazia efeito, então fui procurar o tal do Döner. Perguntei pra uma moça que estava vestida a caráter pra poder me informar bem, e realmente ela me informou bem, pena que o lugar estava fechado. Mas na mesma rua, na Grande Rue, porque todas cidades tem uma Grande Rue, que na verdade é bem pequena de largura pelo menos. Sentei numa mesa, pedi o menu, mas acabei optando pelo Döner e água da torneira, ou seja, gastei 3,5 euros no almoço e comi bem, muito bem.
Andei mais um monte pela cidade, ao todo dia 43,18km em 3h30 de pedalada, porque saí do albergue lá pelas 10h e voltei só às 18h.
Depois de ter feito o tour pela cidade, pelos principais pontos, quis ir no Museu do Chocolate, mas era muito longe, e até chegar lá, achar o lugar, já estaria quase fechando, resolvi ir no Museu da Cerveja, mas esse estava fechado mesmo, aí não teve jeito.
Então fui na Gare da cidade, que está em reforma pra atender aos TGVs, e comprei a passagem pra Genève (Genebra). Vou partir as 8h55 e chegar lá mais ou menos 13h47, o que dá uma viagem de 4h52.
Passei numa vendinha comprar umas frutas e mantimentos pra amanhã. Comprei maçã, pêra, uns biscoitos, lata de legumes, lata de ervilha com cenoura, pão e um chocolate Lindt, Double Lait Müesli, ele vem com 5 cereais dentro, muito bom. O problema é que tive que comer ele todo, porque com o calor daqui ele ia derreter mesmo, e se deixasse pra amanhã então, ele iria se liquefazer. Isso tudo, que foi meu jantar e será meu almoço e até um lanchinho da tarde, e quem sabe parte do jantar de amanhã, saiu por 11,52 euros, bem mais em conta e alimentou bem e foi diversificado.

Voltei ao albergue carregando as compras no guidão da bicicleta, a baguette no guidão ficou linda. Até tirei uma foto. Subi ao quarto pra guardar as coisas e voltar só com a comida, quando me deparei com um velho. Comecei a falar com ele, ele é alemão, mas o problema é que ele não fala, ele solta grunhidos, então não entendo direito o que ele quer dizer. Desci pra comer, e na mesa lá for a tava o ser estranho, perguntei se eu poderia me sentar à mesa pra comer, ele disse que sim. Meus Deus que horror, ele deve ter uns 3 dentes só e uma voz muito bizarra. Sentei lá e comi o meu pão com a lata de legumes, foi bom porque eu podia molhar o pão na água de conserva, ficava muito bom. Depois disso ainda comi o chocolate, foi um belo jantar. E bem mais barato do que de ontem, ainda mais que só teve água hoje.
Fui checar os e-mails e ver quem estava online, mas dessa vez comprei o de 15 minutos apenas. Como era domingo, a Leilane e o Evandro (meus irmãos) estavam e falei com o Joelmir (meu primo de Santa Catarina) também. E da Amanda, nada. Então depois preciso reservar o albergue com a recepcionista mesmo. Mas por mim tudo bem, é só um dia lá mesmo, no outro já vou pra Lyon. É mais só pra dizer que fui e comprar um chocolate.
Mas o mais importante disso tudo é que tinha um e-mail do meu amore, uma pena eu não ter tido mais tempo pra escrever mais pra ela. Mas acho que escrevi o essencial. Ela já está voltando ao Brasil, pelo menos fica mais fácil de encontrá-la online, pra poder teclar ou até usar o skype.
Albergue reservado, fica a 1km do centro da cidade, próximo ao lago, deve ser bem bonito. Mas pelo que vi ele é bem grande e acho que vou ficar num quarto com 6 camas, mas também é meio indiferente ficar com mais um ou mais 5, às vezes um enche mais do que os 5.
Que nem esse senhor alemão que solta grunhidos, o cara é muito esquisito, mas amanhã cedo já estarei indo embora, então tá sussa.
Arrumei as coisas, deixei a roupa secando, porque já lavei umas cuecas e meias, hoje lavei também uma camisa amarela e a bermuda preta, só com sabonete, acho que fica bom. Não é assim aquela coisa, macieza e perfume, mas vai sujar denovo mesmo. E lavei de graça na pia do quarto, então tá bom demais. Mesmo porque preciso economizar um pouco mais daqui pra frente. Em Paris gastei demais e ainda terei uns trens pra pegar, e é meio carinho levando em conta o resto, mas pelo menos poderei conhecer vários lugares com as suas diferentes características.

Sexto dia: rumo a Strasbourg


Finalmente eu vou de uma cidade importante a outra só de bike. Mesmo tendo feito 110km em um dia, irei fazer mais uns 70 pra chegar a Strasbourg, mas essa é a intenção da viagem, andar de bike.
O clima estava bom, levantei cedo, bebi bastante água e pedi informações para o recepcionista do hotel. Ele anotou e até fez um mapinha da direção que eu deveria tomar, foi bem preciso, inclusive dizendo que teria uma subida no início, mas depois seria descida e plano, sem contar a floresta que eu teria para me dar sombra. E foi isso mesmo, muito bom.
Passei por Niderviler, Lutzelbourg e parei em Saverne, que era mais ou menos no meio do caminho. Aproveitei pra comer alguma coisa, encontrei uma creperia aberta e pedi um chamado Jaune, que vinha presunto, ovo e queijo Gruyère, por 4,5 euros. A princípio achei meio caro, mas eu estava com fome, precisava comer algo pra me sustentar e foi muito bem escolhido. Primeiro veio até uma saladinha de alface com uma fatia de tomate e um molho a base de azeite e limão muito bom, tudo aqui pra comer é muito bom sempre, em qualquer lugar que se vá. Tomei água da torneira pra não gastar mais e também porque precisava me hidratar, se eu tomasse suco ou refrigerante acabaria com mais sede.

O dono lá foi muito atencioso e me informou que estava tendo um encontro de cavaleiros na cidade. Como já era quase meio dia, eu tinha acabado de comer e a cidade me pareceu muito linda, resolvi ficar mais um pouco. Dei uma voltinha, tirei algumas fotos, peguei umas imagens e acho que foi muito bom ter ficado um pouco lá. Gostaria de poder ficar mais tempo em cada lugar, mas como a minha intenção é ver vários lugares, não tem jeito, tenho que fazer isso mesmo.
Então resolvi continuar a viagem e pedi informações para algumas pessoas, porque as placas me levariam a autoroute. Foi aí que descobri uma coisa realmente interessante, que em toda a extensão do canal de Marne au Rhin tem uma ciclovia, chamada de ciclable. E realmente as pessoas se utilizam disso pra andar, encontrei muitos e muitos ciclistas passando por lá. Sozinhos, com a esposa, com filhos, jovens, adultos, idosos, tanto faz, todos passam por lá. E de repente minha reserva de água estava chegando ao fim bem na hora que avistei uma base de barcos onde tinha uma torneira, parecia miragem causada pela desidratação, mas era real. Reenchi as garrafas e, com essas reserva extra, pude ir até Strasbourg. Apesar do caminho ser bem plano, algumas vezes não tinha sombra e/ou tinha vento contra, o que dificultava e fazia cair a média de velocidade e aumentar o esforço durante a viagem. Inversamente proporcionais e pra isso é preciso ter em mente sempre que eu posso, eu consigo. Tanto que saí de Sarrebourg lá pelas 8h30, 9h, e cheguei a Strasbourg somente às 16h, depois de ter percorrido pouco mais de 80km, contando o trajeto, a visita a Saverne e, como sempre, umas andadas a mais porque me perdia. Cheguei em Strasbourg e vi que não seria fácil encontrar o albergue, mesmo porque pela experiência que tive em Nancy, essa grife sempre coloca numas regiões não muito centralizadas. Segui as torres da igreja e parei num posto de gasolina, comprei um mapa da cidade. Aí foi mais fácil. Me localizei e segui a direção para o albergue. O bom é que tem sempre tem a ciclovia, então não tive problemas em chegar. Eu tinha como ponto de referência um cemitério. Cheguei até ele, mas vi que eu estava do outro lado. Então atravessei-o. E como não tinha nenhuma placa indicando que não era permitida a entrada de bicicletas, não tive problemas. Logo depois eu estava no albergue, guardei as coisas, paguei duas noites, tomei um banho e logo depois chegou um cara no quarto. Ele perguntou que língua eu falava, aí eu disse que era brasileiro, porque vi que ele não falava francês, preferia o inglês, então ele disse: você também é brasileiro?
Pois é, a gente viaja 10.000km pra encontrar um brasileiro perdido em Strasbourg, no mesmo albergue, no mesmo quarto. Não falei muito com ele, porque ele foi dar uma volta pela cidade, acho que amanhã ele já segue viagem, pois na verdade ele está fazendo intercâmbio na Alemanha e como só se pode viajar aos finais de semana ele tem que correr. Mas espero poder entrevistá-lo.
E eu saí pra comer alguma coisa, afinal passei o dia a base de Pringles, waffer, Langue de Chat (um tipo de biscoito) e o crepe. O problema é que o restaurante abre só as 18h30, então comi um quiche de Lorraine e um Pain au Chocolat, foi bom pra dar uma amenizada no problema, depois eu vou ao restaurante e como decentemente. Ainda mais que começou a chover, então voltei ao quarto pra fechar a janela, porque está muito quente lá dentro, é no segundo andar, pega sol o dia todo. Mas tranqüilo, eu agüento! Mesmo depois de ter rodado 90km em 5h só de pedal, sem contar o tempo pra descançar, comer etc. Não sei se é bom ou não, mas pelo menos vou ficar hoje e amanhã aqui, depois vou pra Genebra, se tudo der certo, visito a Amanda e a Ana Paula e, quem sabe, terei abrigo.
Realmente estava muito quente no quarto, que dificuldade pra dormir, meu Deus...
Bom, agora pelo menos eu já podia ir jantar. Dessa vez não quis economizar, mesmo sabendo que poderei ter problemas mais a frente quando o dinheiro começar a acabar, mas depois de ter pedalado 200km em dois dias, acho que eu merecia uma recompensa pelo triunfo alcançado. Fui no restaurante aqui perto que a moça do albergue indicou, realmente não era muito caro, então eu pude pedir várias coisas, o que no final acabou saindo caro. O restaurante é de indianos, aliás, tem muitos indianos por aqui. O nome do restaurante é Aux Deux Gouts, nome bem sugestivo. O restaurante fica na 56B, route de Schirmeck. Acho interessante os nomes das ruas aqui, por exemplo essa, quer dizer que vai para Schirmeck. Tem a rue D'Église, ou seja, a rua da igreja, e assim por diante. Mas claro que nem todas tem um significado desse tipo. Como eu estava cansado e com fome, foi nesse restaurante mesmo. E estava tudo muito bom, o atendimento, a comida e a bebida. Pedi um vinho Pinot Noir produzido na Alsace, meia garrafa, uma salada indiana que tinha um queijo branco feito por eles mesmo e água da torneira, claro. Depois ainda um filet mexicano com batata frita e mais um pouco de salada. Vinha um molho muito bom por cima da carne, bem apimentado, que nem a salada da entrada, fiquei com calor, mais que o normal, bebi bastante água e passou depois. Nem sei como comi tudo aquilo, as porções eram bem generosas. Se eu tivesse pedido somente o filet já tava bom, mas eu precisava comer. Não tinha me alimentado bem durante o dia, o problema é que comi tudo de uma vez só. A conta saiu um pouco cara, porque eu não tava a fim de sair procurando lugar pra comprar comida, então gastei 26,90 euros num jantar. Mas degustei coisas locais, foi muito bom. Daqui pra frente tenho que economizar porque ainda tenho que comprar umas passagens de trem e pagar os albergues ou hotéis, caso não encontre nada. Qualquer coisa também, durmo numa praça, estação de trem, sei lá.
Voltei pro quarto e fiquei conversando com o meu colega gaúcho. Fiz a entrevista com ele e logo depois fui dormir, mas isso já havia se passado algumas horas, fui dormir lá pelas 22h.


Quinto dia: rumo a Sarrebourg


Acordei mais ou menos no horário de sempre, na verdade, levantei às 6h e pouco, mas voltei a dormir e só levantei mesmo às 8h e pouco. Desci pra tomar o café da manhã que estava incluso nos 13,40 euros. Sentei perto de uma moça e comecei a falar com ela. Ela é enfermeira na Alemanhã e ia passar uns dias em Nancy. O bom é que como a língua dela é o alemão, ela também falava um pouco mais devagar o francês, então foi fácil compreender o que ela dizia, qualquer coisa era só ir tentando ou falar a palavra em inglês e pronto.
Com tudo arrumado peguei a bike e encarei o tempo que estava fechado, mas nem chegou a chover, deu uns pingos. Foi bom pra testar as malas e alforges da Pró Bike. Na saída cheguei perto da autoroute e pedi informação para um senhor que estava arrumando umas coisas no carro. Ele foi bem preciso e me passou uma lista de cidades que eu devia seguir nas placas. As pessoas conhecem muito bem a região onde moram, inclusive os caminhos alternativos para se ir de bicicleta. Não teve erro, passei por Laneuveville, Saint Nicolas (comprei umas maçãs numa vendinha, muito boas e caíram bem, comprei um suco Minute Maid na máquina também), Dombasle, Luneville. Um pouco antes de Luneville, eu já havia andado quase 40km, era pouco mais de meio dia e eu estava achando que ainda tinha muito chão e subida até a cidade, então parei num restaurante de beira de estrada e almocei por lá mesmo. Foi uma boa escolha. Comprei uma garrafa de água de 1,5l e comi um prato muito bom de comida, com peixe, arroz, verduras, batata frita e uma torta de batata com ovo, tudo isso por pouco mais de 10 euros.
Esperei um pouco, fazer a digestão, depois segui o caminho calmamente.
Quando cheguei a Luneville pedi informação novamente e uma moça num café me deu o nome de outrtas cidades que eu deveria me orientar. Passei por Chanteheux, Marainviller, Thiebaumenil, Benamenil e depois peguei a direção a Blamant, desse ponto em diante ficava fácil chegar a Sarrebourg.
E tem um fato muito interessante a ser ressaltado. Porque essas cidades na verdade são uns vilarejos, tem entre 400 e 600 habitantes apenas. Quando eu estava no quilômetro 68 do percurso, minha reserva de água estava se acabando e ainda tinha uns 5km pra chegar até uma cidade maior. Parei e pedi água para um senhor que estava cortando um verde fora de casa. Achei que ele fosse me dar um copo ou qualquer coisa assim, mas ele começou a perguntar de onde eu vinha, pra onde ia e tal, então expliquei tudo e ele me convidou pra entrar na casa dele, no quintal. A esposa dele veio com suco, pêssego, muito bom por sinal, e água numa garrafa e ainda encheu as minhas duas outras garrafas, de 1,5l e de 75cl. Conversamos um pouco sobre algumas coisas, trocamos e-mails e eu tirei uma foto do casal. Tinha pensado até em entrevistar, mas acho que uma foto já tá bom. Ele perguntou até se eu queria usar internet, achei muito interessante isso, internet naquela cidadezinha tão pequena no meio do nada.
A coisa mais marcante foi a última frase que ele disse: quando você estiver aqui por perto, venha nos visitar.
Depois disso nem senti o cansaço pelos próximos 5km. Mas começaram a aparecer muitas subidas e nenhuma sombra. O espaço pra andar era pouco, mas os carros e caminhõs davam bastante espaço sempre, em todo trajeto.
Quando finalmente cheguei a Sarrebourg segui as placas para a Centre Ville, fui procurar um hotel, mas o primeiro que vi não tinha ninguém atendendo. É muito estranho porque o sol ainda está alto e são quase 19h. Indicaram-me o Hotel Cactus, disseram que era barato, porque ele é meio isolado da cidade, fica na beira da rodovia N4 que vai pra Strasbourg. Só que pra minha surpresa a diária é de 31,90 euros sem café da manhã, se quiser, são mais 4,40 euros. E o único lugar que vi aqui perto pra comer era o McDonald's. Resolvi ir lá mesmo, não estava a fim de voltar ao centro da cidade só pra comer, porque já são quase 21h e eu estou bem cansado mesmo.
Depois de ter rodado 114km num dia e ter que encarar mais uns 60 e poucos amanhã, voltei ao hotel, escrevi isso e já são quase 22h e só agora que está ficando realmente escuro. O problema é que não achei internet, então espero chegar relativamente cedo em Strasbourg e procurar o albergue, espero também que seja mais barato e bom, e que eu consiga um quarto só pra mim. Aí darei umas voltas e comprarei a passagem de trem ou TGV pra Genève (Genebra, Suíça) e vou ver se consigo o endereço da Amanda (uma antiga conhecida minha, que está morando lá).
Bom, hoje foi um dia de pedal total. Passei por muitos lugares lindos, conheci pessoas realmente interessantes que estão dispostas a ajudar e vi que pelo menos uma vez na vida consegui fazer mais de 100km num dia de bike levando um monte de coisas.
O problema é que fiquei isolado do mundo aqui, apesar de ter TV no quarto. Queria pesquisar e reservar algum albergue pra não ter o mesmo tipo de problema que tive em Paris e aqui. Acima de tudo, saber se meu amore mandou algum e-mail, mas só amanhã. Aí mandarei mais umas fotos pra ela e pro pessoal lá em casa. Afinal de contas, logo logo o meu amore estará de volta ao Brasil e vou tentar usar o skype pra falar com ela.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Quarto dia: Rumo a Nancy


Acordei cedo, um pouco antes das 8h, tomei café e fiz a entrevista com o Ron. Arrumei o que faltava e fui pra Gare du L'Est. Cheguei até relativamente cedo, mas melhor do que perder o trem.
Aproveitei pra ligar na KLM confirmar o embarque da bicicleta na volta ao Brasil, pra garantir. Depois fiquei esperando, mas foram uns 20 minutos apenas.
O trem logo chegou e aquele monte gente embarcou. Eu fui perguntar pra um cara onde que eu poderia subir com a bicicleta, mas ele não falava francês, então, mais uma vez eu treinei o inglês. Depois desses dias em Paris meu inglês melhorou bastante.
Tentei subir a bicicleta, mas estava pesado, aí um alemão me ajudou. Porque o trem ia de Paris até umas cidades na Alemanha, e mesmo Nancy tem muito alemão e gente que fala alemão.
Deixei a bike lá e sentei em frente, pra poder vigiar e ver se ela não ia cair. A viagem toda ela e eu, sempre juntos. Sem contar que a viagem foi mais rápido do que imaginei. Em 2h30 eu já estava em Nancy, achei que fosse demorar umas 3h e pouco. O trem vai bem rápido em relação aos que eu vejo no Brasil, fico imaginando o TGV, qualquer dia pego um.
Nancy é uma cidade encantadora. Por ser pequena vi tudo o que tinha que ver bem rápido, no centro tem tudo. Como eu já tinha visto os principais pontos no guia da Folha e na internet, fiz uma lista do que ver e filmei tudo bem rápido. Já estava meio cansado, fui procurar o albergue.
Mas antes disso, aconteceram uns lances engraçados, como uma senhora que veio me perguntando as horas e ficou falando do filho dela, que viria não sei de onde e quando eu disse que era brasileiro ela até me cumprimentou com abraço e beijo, fiquei meio chocado com a reação, mas achei muito legal isso. Ela simpatiza muito mesmo com os brasileiros. Aí ela disse que ia me ajudar, perguntou o que eu queria saber, eu disse que gostaria de saber onde ficava a rua do albergue, mas ela não sabia informar, aí ela correu atrás de um homem perguntando, ele veio explicar e tal.
Passei por uma fortificação, La Grande Rue, a igreja que está em reforma, mas que é muito linda e um parque também muito lindo. Inclusive os parques todos aqui são maravilhosos.
Depois disso fui em busca do albergue. Fiquei mais de 2h procurando. Parei numa casa onde um homem estava fazendo um móvel, ele pegou até o mapa pra ver onde era, anotei as ruas que deveria pegar e fui. Mesmo porque eu estava indo para o lado contrário, quase saindo da cidade. Atravessei a cidade toda de volta, dessa vez descida, já que eu havia subido muito. Mas não encontrava de jeito nenhum essa rua. Fiquei rodando que nem barata tonta, perguntava para as pessoas na rua, elas me indicavam, eu ia, mas não era. Eu parei pra perguntar pra um senhor, ele logo me perguntou se eu era alemão. Falei que era descendente apenas. Numa avenida parei em um ponto de ônibus que tinha uma mapa, e perguntei pra uma moça que avenida eu estava, porque nem todas tem placas em todas as esquinas, aí fica muito difícil encontrar as ruas. Diferentemente de Paris que tem bastante indicação eu ainda tinha o mapa, aqui não.
Eu não estava longe, mas era um pouco diferente do que achava que tinha que fazer pra chegar, peguei umas subidas, cansei, mas foi bem recompensador. O lugar é lindo, é um castelo antigo com um grande jardim e ainda consegui um quarto com uma cama só, então saí pra fazer umas compras de mantimentos, aproveitei e levei um vinho.
A moça que atende foi muito gentil, me ouviu e ajudou a entender e falar as coisas, diferente do pessoal de Paris, que logo que não entende, pergunta se eu falo inglês, mas eu não quero saber de inglês, quero falar em francês, mesmo que não entenda bem o que eles dizem. Mas acho que estou me acostumando já. Ainda mais que aqui no interior, o pessoal não sabe falar inglês muito bem, então eles se esforçam no francês mesmo.
Meio dia, por exemplo, parei numa barraquinha pra comer um sandwish, bem mais barato que em Paris, o cara veio falar comigo, perguntar de onde eu vinha, pra onde ia e tal. Falei com um casal de namorados, eles também não falavam inglês muito bem. Com ambos consegui me entender e creio que me fazer entender também.
Eu até usei um dos banheiros públicos pra ver como era. Eu achei a idéia bem interessante, mesmo tendo que pagar 30 centavos de euro.
Voltando ao albergue, ainda pude usar a internet sem pagar nada por isso, mas foi no computador dela, com teclado azerty e só e-mail. De qualquer forma foi muito bom, porque pude ler o que chegou e mandar mais um para o meu amore. Amanhã eu procuro algum lugar wifi ou uso novamente um outro qualquer, ainda mais de graça, e mando mais notícias para o pessoal.
O meu jantar hoje foi basicamente um litro de achocolatado, pra repor as energias, um sandwish de frango com umas coisas boas e água. O vinho ficou pra depois. Tomar uma garrafa de 3 euros de um chardonnay, vin de pays d'oc, mas que é muito bom. Difícil achar um vinho assim no Brasil por 9 reais. O problema daqui é que a água, os refrigerantes, sucos e cervejas são caros e vem quente. Se bem que em Nancy paguei 1,50 euros a Coca Light, um pouco menos que Paris. E a água eu vou enchendo nos parques da cidade. É bom que não fico desidratado e nem sem dinheiro, porque se for ver, eu teria que gastar uns 6 euros por dia só em água, assim não gasto nada e ainda visito os parques.
Agora acho que realmente começou a minha viagem pela França, aquela França onde tem franceses que falam francês e tem orgulho de ser, porque Paris tem muito turista, é tudo lotado, gente pra tudo que é lado, é uma capital, uma cidade grande e cosmopolita, muito boa, linda e relativamente limpa, mas as pessoas só pensam do boulot, metro, dodo. Trabalho, metro e dormir. Como em qualquer grande cidade do mundo, várias opções de entretenimento, compras, lugares históricos que acabam passando batido pra quem vive na cidade, servindo apenas para os turistas.
Amanhã acordo, tomo café da manhã, espero que seja melhor do que o pão com manteiga do albergue de Paris, mas de qualquer forma tenho mais mantimentos para a viagem, porque irei pedalar uns 90-100km amanhã até Sarrebourg ou outra cidade que eu chegar. Vamos ver no que isso vai dar. Porque uma coisa é ir de trem, de uma gare a outra, e diferentemente é ir de bike, sem saber direito o caminho a seguir, ainda mais que não posso andar pelas autoroute. Vou perguntar pra moça daqui, ela é realmente bem cordial.
As minhas considerações finais de hoje são sobre o tempo e a saudade. O tempo realmente está voando, nem parece que já é quinta-feira e que daqui a pouco acaba o mês, meu amore volta ao Brasil, mais 20 e poucos dias eu volto e tudo volta ao normal. Isso é bom porque irei rever o meu amore e não tão bom porque volto a rotina do trabalho, mas faz parte, pra poder pagar as contas da viagem.
Amo o meu amore, estou com muitas saudades e não vejo a hora de poder revê-la, tirar o atraso de tudo e trocar as experiências da viagem.

Terceiro dia: ainda em Paris


Hoje, como os outros dias, acordei e fui fazer a minha reserva para mais uma noite, garantir o albergue. Pagava logo cedo e ficava mais um dia com lugar pra ficar.
Tomei café da manhã e peguei um metro até o Louvre. Foi bem tranqüilo, é perto daqui, mas pra ir a pé, nesse sol e depois andar mais um monte lá dentro, não achei uma boa idéia. E foi só 1,40 euros mesmo.
No subsolo da praça do Carrossel tem umas lojas, e numa tabacaria vende-se os ingressos para os museus. Já comprei lá mesmo, Louvre e D'Orsay. Fiquei umas 3h andando pelo Louvre, vi a Monalisa e a Venus de Milo, depois rodei mais um pouco por lá, mas é muita coisa pra ver. Teria que ir uns 3 dias mesmo. Pelo menos vi umas coisas egípcias, já que o Egito está aqui. Depois almocei num lugar simpático que achei perto do D'Orsay, eles tinham um menu de sandwish. Peguei um sandwish, uma Coca e um Brownie por 8 euros, até que foi uma boa pedida, un bon marché, pas cher. Alimentou bem e estava muito bom. Essa é a vantagem daqui, em qualquer lugar tem um lanchinho bom.
Entrei no D'Orsay tranqüilamente, sem filas e tal. Porque ontem tava feia a coisa lá. Fiquei também 3h andando, consegui ver tudo, porque é um pouco menor que o Louvre, mas não menos perfeito. É muito lindo, os grandes relógios, o teto, tudo perfeito. Obras dos impressionistas franceses, quadros que eu só ouvia falar e via em livros e na internet, estavam ali, na minha frente. É muito emocionante ver um quadro de um pintor de tanto renome, conhecido mundialmente, aqui num dos museus mais famosos do mundo também. Que ele por si só é uma obra de arte.
Hoje saí só com a câmera de fotos, enchi o cartão e fiquei pensando como faria para descarregar as fotos, se num CD ou no SD do PocketPC. O problema é que eu precisaria de um computador pra fazer a transferência. Vi um americano com um notebook e pedi pra ele me emprestar um pouco para que eu pudesse transferir, aí foi tranqüilo e de graça. Vou fazendo isso até que o cartão fique cheio, depois terei que gravar em CDs mesmo, mas já é uma boa ajuda.
Jantei um sanduba que comprei no mercado e de sobremesa um pouco de chocolate, muito bom por sinal.
Depois fiquei escrevendo o diário, mandei uns e-mails com fotos pelo wifi do albergue! E procurei algumas coisas sobre Nancy, mais especificamente sobre o albergue. A primeira coisa que farei lá é comprar uma passagem pra Strasbourg, depois ver o albergue. Se não conseguir albergue nem sei o que vou fazer, dormir em hotel, algum barato ou ficar na Gare mesmo. Vamos ver o que vira.
Muita água pra não desidratar no calor e saudades do meu amore.

terça-feira, agosto 29, 2006

Segundo dia: em Paris


Estou aprendendo bem o inglês aqui em Paris. Todo mundo fala inglês, menos eu. Eu começo a falar em francês, as pessoas acham que sou americano tentando falar francês, aí eles perguntam se eu falo inglês, e logo vem a decepção. Mas também falo um pouco de francês, pra pedir informação, comprar comida, passe de metro, essas coisas.
Hoje peguei a bike e fui dar o super role básico. Tracei um roteiro e fui na coragem e na vontade pra poder ver os principais e mais famosos pontos turísticos da capital francesa.
Passei na Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Champs-Elysée, Jardin de Tueilleurs, Pantheon, Museu do Louvre e Museu D'Orsay, mas só por fora, Catedral de Notre Dame, Jardin de Luxemburgo e outros lugares mais. Esses foram os principais, não por ordem de importância, mas por ordem de visita mesmo. Filmei tudo, tirei algumas fotos também. Fotos não muitas, já filmagem, deu 1h20. E como estava gravando em SP, lá se foi uma fita e meia praticamente. Mas valeu a pena, porque é tudo muito lindo. Dá vontade de fotografar tudo, filmar tudo, cada detalhe, mas não tem como, é muita coisa.
Espero que fique bom o documentário.
Andei uns 30 km hoje nesses pontos. Só fico imaginando se tivesse ido a pé, teria sido uma canseira total. De bike foi super fácil, levei lanchinho, mas qualquer coisa poderia ter parado em algum lugar, como fiz na Torre Eiffel e comi um sanduíche com Coca Light, é caro em qualquer lugar, então tanto faz.
Depois voltei ao albergue, tomei banho, arrumei as coisas e saí comer pizza com um americano, um inglês e um finlandês, mas fiquei mais ouvindo do que falando, porque pra falar inglês não sou muito bom. Pra falar a verdade, nem português eu falo direto. Sem contar que foi a pizza e a cerveja mais cara que já tomei. A pizza estava boa, quase 9 euros. E a cerveja, quase 4 euros e quente. Horrível isso. Agora entendo a nova onda dos europeus tomarem mais água. É o melhor a se fazer por aqui, ainda mais com esse calor que faz no verão.
Depois voltamos ao albergue, fiquei lá com eles um tempo, ouvindo um pouco mais a conversa, mas me deu uma canseira, meu cérebro parecia que ia explodir tentando traduzir aquele monte de gente falando inglês sem parar. O melhor que fiz foi ir dormir.

Rumo a Paris


Achei que eu fosse escrever o diário durante a viagem, mas as coisas não aconteceram bem do jeito que imaginei. Acabei escrevendo tudo em papéis e no PocketPC, para só depois do meu retorno poder colocar na internet. Aqui começa a jornada.

Saí de Ribeirão Preto até São Paulo de ônibus. Na rodoviária do Tietê peguei o ServiceBus até o aeroporto de Congonhas. Fiz o checkin e almocei. Esperei mais umas 3h. Passaram rápido, porque tinha que andar muito de um lado pro outro. Passei no freeshop e aproveitei comprar o adaptador de tomadas, pra não levar nenhum susto durante a viagem e poder recarregar meus equipamentos.
No avião, um aperto. Mas tinha lanchinho e vinho. Fiquei vendo TV, filme, ouvindo música e jogando, passaram rápido as 12h de viagem.
Cheguei no Charles de Gaulle, carregando tudo na mão, peguei o trem e depois um metro até Montparnasse. Segui as instruções que na internet pra chegar até o albergue. Foi bem fácil. O problema é que eu estava cansado, mas coragem. Falei que eu tinha reservado, mas a moça não encontrava as reservas. Achei estranho, mostrei o papel que imprimi da internet, então ela achou. Eu havia reservado pra agosto e não julho, coisas da vida. O problema é que não tinha certeza se teria lugar pra mim nos outros dias. Pelo menos pra hoje consegui.
Como não poderia entrar no quarto porque estava em limpeza, fui dar uma volta pela cidade. Ver algum hotel barato (vi que não existe) e comprar a bicicleta. Perguntei onde eu encontraria uma loja boa, me indicaram da Decathlon. Fui até lá e optei pela Triban 7, vem com quadro de alumínio, suspensão dianteira e do canote do selim, mesa com regulagem, freio a disco dianteiro e já vem também com bagageiro, pára-lama e faróis. Tudo isso por 360 euros. Comprei ainda câmara de ar, bomba, capacete, boné e ciclocomputador, no final deu 420 euros. Paguei e saí andando. Fiquei andando meio sem rumo só pra ir me acostumando com a bike, ver se estava tudo em ordem mesmo. Andei quase 30km, porque é bem tranquilo, praticamente tudo plaino e bem arborizado, nem sentia muito o calor.
Comi um sanduíche e finalmente fui tomar banho e dormir.