Relatos de viagens ciclísticas.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Sétimo dia: em Strasbourg

Acordei relativamente cedo, mas com preguiça de sair da cama, denovo. Porque de manhã fica fresco e é a única hora que dá pra dormir bem mesmo, fazer o quê?!
Logo depois que levantei, o meu amigo gaúcho também levantou. Fomos tomar café da manhã juntos e conversamos mais um pouco, é sempre bom poder se comunicar utilizando a língua materna, aquela que sabemos melhor todas as gírias e tudo mais. Ele me deu uma boa dica que segui, comer um Döner Kabeb, é como se fosse o nosso X-Salada, pela função social, mas ele é a base de carne que fica num espeto, aí tira-se umas lascas, muitas lascas, acrescenta-se repolho, cebola, umas coisas assim e um molho que é tipo um iogurte natural, fica excelente e grande e enche e alimenta mesmo, tudo isso por 3,5 euros, muito bom.


O primeiro Kebab a gente nunca esqueçe...

Durante o café da manhã eu percebi um ser esquisito próximo a nós, a princípio achei que fosse uma mulher, mas era um homem mesmo, bizarro. Mas tudo bem, cada um na sua.
O meu amigo foi embora e eu me preparei pra fazer o tour na cidade. O problema é que como hoje era domingo, não tinha muita coisa aberta e nem muita gente na rua, mas por mim tanto faz, não iria comprar nada mesmo e menos gente e menos carro na rua é melhor pra andar. Mesmo assim fiz belas imagens e tinha muito turista, principalmente alemão, na parte da cidade chamada Petite France, onde ficam os principais pontos turísticos da cidade. Filmei tudo por lá, tudo lindo, eu queria filmar mais e mais, cada detalhe, mas era muita coisa. Daria pra fazer um documentário de 5h só sobre Strasbourg, assim como sobre Paris e sobre cada cidade daqui, porque todas tem muita história pra contar.
Mas eu tinha que continuar a filmar outras coisas. E em frente a uma igreja eu encontrei um cara com uma bike Tandem de 3 lugares, fui logo me aproximando dele e perguntei de onde ele era. Rússia! Muito interessante isso por si só. E o mais legal é que ele viaja assim, de bike, com a mulher e a filha. Não tive dúvidas, peguei a câmera e entrevistei o casal, acho que vai dar um toque bem legal no documentário. Isso é tão interessante, em cada cidade, em cada vilarejo, em cada lugar acontece alguma coisa ou eu conheço alguma pessoa interessante e isso é muito bom. Porque todos estão aqui só pra curtir a vida, uma aventura, viajar, conhecer lugares, então eu posso andar a cidade toda, em qualquer lugar mesmo, com as coisas na bolsa, a câmera eu deixo pendurada no pescoço direto pra facilitar na hora filmar, e ninguém incomoda, ninguém enche o saco, ninguém quer roubar. Claro que não dá pra facilitar, mas é muito mais tranqüilo. Também, pelo tanto de turistas e pessoas com câmeras muito melhores que a minha, pra que roubar!? Bikes, carros, todo mundo tem aqui, então não existe essa desigualdade louca que nem no Brasil, onde uns morrem de fome e roubam qualquer coisa pra comer, matar pra poder comer. O Eduardo, meu companheiro de quarto de ontem a noite, disse que já dormiu em praça e tal, imagine fazer isso no Brasil, além de ser assaltado, vai chegar a polícia achar que é morador de rua e sabe-se lá o que pode acontecer. Mas enfim, continuemos com os relatos daqui.
Fui filmando, nem olhava no mapa, só na lista de coisas a filmar, porque era só ir seguindo as placas, quase como uma trilha turística. Pouco depois do meio dia, o café da manhã já não fazia efeito, então fui procurar o tal do Döner. Perguntei pra uma moça que estava vestida a caráter pra poder me informar bem, e realmente ela me informou bem, pena que o lugar estava fechado. Mas na mesma rua, na Grande Rue, porque todas cidades tem uma Grande Rue, que na verdade é bem pequena de largura pelo menos. Sentei numa mesa, pedi o menu, mas acabei optando pelo Döner e água da torneira, ou seja, gastei 3,5 euros no almoço e comi bem, muito bem.
Andei mais um monte pela cidade, ao todo dia 43,18km em 3h30 de pedalada, porque saí do albergue lá pelas 10h e voltei só às 18h.
Depois de ter feito o tour pela cidade, pelos principais pontos, quis ir no Museu do Chocolate, mas era muito longe, e até chegar lá, achar o lugar, já estaria quase fechando, resolvi ir no Museu da Cerveja, mas esse estava fechado mesmo, aí não teve jeito.
Então fui na Gare da cidade, que está em reforma pra atender aos TGVs, e comprei a passagem pra Genève (Genebra). Vou partir as 8h55 e chegar lá mais ou menos 13h47, o que dá uma viagem de 4h52.
Passei numa vendinha comprar umas frutas e mantimentos pra amanhã. Comprei maçã, pêra, uns biscoitos, lata de legumes, lata de ervilha com cenoura, pão e um chocolate Lindt, Double Lait Müesli, ele vem com 5 cereais dentro, muito bom. O problema é que tive que comer ele todo, porque com o calor daqui ele ia derreter mesmo, e se deixasse pra amanhã então, ele iria se liquefazer. Isso tudo, que foi meu jantar e será meu almoço e até um lanchinho da tarde, e quem sabe parte do jantar de amanhã, saiu por 11,52 euros, bem mais em conta e alimentou bem e foi diversificado.

Voltei ao albergue carregando as compras no guidão da bicicleta, a baguette no guidão ficou linda. Até tirei uma foto. Subi ao quarto pra guardar as coisas e voltar só com a comida, quando me deparei com um velho. Comecei a falar com ele, ele é alemão, mas o problema é que ele não fala, ele solta grunhidos, então não entendo direito o que ele quer dizer. Desci pra comer, e na mesa lá for a tava o ser estranho, perguntei se eu poderia me sentar à mesa pra comer, ele disse que sim. Meus Deus que horror, ele deve ter uns 3 dentes só e uma voz muito bizarra. Sentei lá e comi o meu pão com a lata de legumes, foi bom porque eu podia molhar o pão na água de conserva, ficava muito bom. Depois disso ainda comi o chocolate, foi um belo jantar. E bem mais barato do que de ontem, ainda mais que só teve água hoje.
Fui checar os e-mails e ver quem estava online, mas dessa vez comprei o de 15 minutos apenas. Como era domingo, a Leilane e o Evandro (meus irmãos) estavam e falei com o Joelmir (meu primo de Santa Catarina) também. E da Amanda, nada. Então depois preciso reservar o albergue com a recepcionista mesmo. Mas por mim tudo bem, é só um dia lá mesmo, no outro já vou pra Lyon. É mais só pra dizer que fui e comprar um chocolate.
Mas o mais importante disso tudo é que tinha um e-mail do meu amore, uma pena eu não ter tido mais tempo pra escrever mais pra ela. Mas acho que escrevi o essencial. Ela já está voltando ao Brasil, pelo menos fica mais fácil de encontrá-la online, pra poder teclar ou até usar o skype.
Albergue reservado, fica a 1km do centro da cidade, próximo ao lago, deve ser bem bonito. Mas pelo que vi ele é bem grande e acho que vou ficar num quarto com 6 camas, mas também é meio indiferente ficar com mais um ou mais 5, às vezes um enche mais do que os 5.
Que nem esse senhor alemão que solta grunhidos, o cara é muito esquisito, mas amanhã cedo já estarei indo embora, então tá sussa.
Arrumei as coisas, deixei a roupa secando, porque já lavei umas cuecas e meias, hoje lavei também uma camisa amarela e a bermuda preta, só com sabonete, acho que fica bom. Não é assim aquela coisa, macieza e perfume, mas vai sujar denovo mesmo. E lavei de graça na pia do quarto, então tá bom demais. Mesmo porque preciso economizar um pouco mais daqui pra frente. Em Paris gastei demais e ainda terei uns trens pra pegar, e é meio carinho levando em conta o resto, mas pelo menos poderei conhecer vários lugares com as suas diferentes características.