Vigésimo dia (11/08): rumo Rennes

Em Redon coloquei o Pocket pra despertar, mas como sempre deu uma pequena preguiça e demorei uns 20 minutos até me levantar de fato. Comi o resto do chocolate, arrumei as coisas, montei tudo na bicicleta, deixei a chave na gaveta da recepcionista, porque ainda não estava aberto o atendimento e segui viagem às 8h30.
Hoje o percurso é um pouco menor, bom pra chegar mais cedo, ver mais coisas na cidade e poder descansar mais, além de escrever com mais tranqüilidade o diário.
Saí num frio de rachar. Não sei porque todos me diziam que na Bretagna fazia calor, só vejo frio aqui. Saí de casaco e calça. Tanto que era meio complicado pedalar, sem ter comido direito, com esse frio e vento.
Mas pelo menos não era muito o vento contra, só muitas subidas e descidas. Subia e descia, subia e descia, e assim eu ia seguindo a viagem.
Depois de uns 20 minutos de pedal já começou a esquentar um pouco, tirei a calça e continuei. De bermuda, claro. Depois de mais uns 20 minutos, tava meio quente e meio frio. O problema é que o casaco estava segurando o meu suor e a camisa ficava molhada, e com qualquer ventinho fazia um frio extremo nas costas. Resolvi tirar o casaco também. Parei no sol, mas mesmo assim fazia frio ainda, por causa do vento. Continuei a pedalar e logo a camisa secou e eu transpirava melhor, sem acumular o suor e deixar mais frio ainda. Daí pra frente deu tudo certo. Apesar do cansaço eu continuei mais uns quilômetros. Chegou uma hora que não deu mais, parei numa área de pic-nic, que tem mesinhas e latas de lixo, achei isso muito legal e parece ser bastante usado mesmo. Encostei a bicicleta, peguei as comidinhas, estiquei a perna no banco, fiz umas massagens e fiquei por lá cerca de meia hora. Foi a melhor coisa que fiz, afinal de contas eu tinha bastante tempo ainda pra chegar e o trajeto não era muito longo, não como o habitual.
Essa parada foi muito boa, porque as subidas e descidas continuaram, cada vez mais longas as subidas e o vento cada vez mais forte. Tinha vezes que vinham rajadas de vento que me faziam quase parar na pista, ainda bem que isso não era constante, era apenas frustrante. Às vezes em subidas não muito íngremes que daria pra subir mais rápido ou em descidas que daria pra ganhar tempo, vinha uma dessas rajadas ou ainda um caminhão no sentido contrário, jogava bastante vento em minha direção. E os que passavam no mesmo sentido que eu, me davam força.
Uma coisa interessante que aconteceu hoje foi o fato de eu ter achado um pendrive de 256mb jogado na beira da estrada. Na hora olhei, achei que fosse apenas um colar, voltei e vi que era um pendrive mesmo. Peguei, olhei, vi que estava tudo em ordem, coloquei no bolso e segui pensando o porque dele estar ali. Será que caiu? Será que jogaram? O que será que tem gravado nele? Por enquanto nenhuma dessas perguntam estão com resposta e nem sei quando terão, se terão.
Cheguei em Rennes lá pelas 14h30. Teria chego antes não fosse o tanto de subida e vento contra, mas acho que aqui isso é uma constante mesmo e espero que esse vento que está contra, fiquei à favor quando eu descer para o Loire.
Pedalei 70,45km em 4h19, isso chega a ser aperitivo perto dos outros dias. Mas foi bom pedalar um pouco menos e descansar mais. Esses trinta quilômetros a mais que eu faria para chegar a cem, fazem uma diferença enorme, porque de bicicleta isso pode representar mais umas duas horas de pedal, ou seja, mais água, mais calorias gastas e mais esforço e tensão.
Estava tudo nublado ainda, desde a hora que vi as nuvens carregadas, assim que cheguei na cidade, começou a chover, achei melhor procurar logo o albergue. Vi num mapa de ponto de ônibus mesmo onde ficava o albergue e fui direto pra lá. Começou uma garoa fina que estava aumentando, mas logo consegui chegar. Fiz a ficha, paguei o albergue, mas só poderia ir ao quarto depois das 15h, porque estava em limpeza. Aproveitei e fui comer alguma coisa. McDonald's. Me deu vontade de comer isso hoje. Era relativamente barato e vinha fritas e Coca-Cola grande, não é aquela coisa, mas tem cafeína. Pedi o Big Tasty Maxi, que vem mais batata e mais refrigerante, só que o Maxi deles é o normal nosso, refri 500ml e a batata parecia com a nossa, de tamanho. Só o preço era Maxi, 6,80€, mas ganhei um copo promocional da Coca-Cola, mais uma coisa pra carregar, e esse é de vidro. Mas é tão legal, e eu adoro copos.
Acabei de comer, ia sair, e começou a chover de novo. Fiquei no restaurante mesmo dando uma olhada nos mapas, roteiro, ver o que irei fazer amanhã, pra onde irei, qual albergue reservar. Logo a garoa parou, o tempo abriu um pouco e pude sair. Na primeira cabine telefônica que encontrei liguei para o albergue de St. Malo, mas estava lotado para o final de semana. Pensei em ir até Dinan, mas também estava lotado. Fiquei meio saber, mas nesse último ele me disse uma coisa que me fez mudar tudo. Ele disse que se eu tiver barraca, poderia ficar lá, que ele tem espaço pra isso. Eu já estava pensando em comprar uma barraca desde o dia do restaurante abandonado, mas não tinha criado coragem e nem queria carregar mais coisa ainda na bike, mas dessa vez era diferente, porque está chegando o dia 15 e é feriado aqui, vai ser difícil encontrar albergue disponível nessas regiões e talvez nas outras também. Hotel é caro e mesmo outros tipos, como as Gîtes. Camping é relativamente barato e tem bastante por aí.
Eu já tinha o mapa da cidade que peguei no albergue então sabia onde era o escritório de turismo que não havia achado antes, também com medo da chuva me pegar, corri pro albergue. Mas agora o tempo estava melhor. Lá pedi um guia de campings da Bretagna, e realmente tem bastante e são bem completos, com preços acessíveis. Pedi mais uns mapas com as petit route para a moça e munido disso tudo ainda pedi onde eu poderia comprar uma barraca, ela me indicou um complexo de lojas que fica na região sul da cidade. Bom, vamos lá. Cheguei lá, tinha apenas barraca pra 3 pessoas, eu queria pra 2, que era mais barata, mas não tinha, então terei espaço de sobra pra mim.
Atravessei a cidade com a sacola de compras no guidão, fui do extremo sul até quase o extremo norte, deixei as coisas no quarto, juntamente com o resto da bagagem e fui dar um rolé na cidade, filmar alguma coisa. É bem legal aqui, muita coisa pra se ver, muita coisa pra se fazer, como em praticamente todas as cidades pelas quais passei, mas infelizmente não tenho tempo de ficar mais que algumas horas mesmo. Nesse pouco tempo que fico consigo ter uma impressão da cidade, e eu gostei dessa aqui. Ela é bem preparada para os ciclistas, tem um esquema parecido com Lyon de pegar bicicletas e sair andando, depois devolvê-las, não sei ao certo se é gratuito ou não, mas creio que sim. Por isso tem muitas ciclo-faixas e onde não tem, anda-se na faixa dos ônibus, porque aqui dá pra confiar em motorista de ônibus e caminhão sem problemas.Tanto que liguei para casa, dizer que estou bem, e ver a vida real que ficou por lá, de contas a pagar. Depois liguei para o meu amore, ela mesma atendeu, falamos um pouco das novidades. Eu disse que daqui pra frente iria acampar e ela logo perguntou: mas e o banho? Pois é, todo mundo tem essa idéia de acampamento selvagem, mas aqui tem toda uma estrutura pra isso. Ainda bem, porque assim eu economizo e ainda terei uma outra forma para mostrar no documentário. Acho que assim ele ficará mais rico. E nos campings, creio que poderei conhecer mais pessoas que viajam de forma mais rootZ, de bike ou de trailer. Estou ansioso pra ver no que vai dar isso.
Agora já são quase 22h, porque o tempo voa mesmo e vou dormir, amanhã terei que pedalar bastante se quiser chegar até St. Malo e Mont Saint Michel.
Até o final do dia eu tinha andado 90km em 5h44, ou seja, foi um bom passeio de bike hoje.



























