Décimo terceiro dia: rumo a Cognac (04/08)

Sexta-feira e eu pegando estrada. Mas demorei um pouco porque tomei café da manhã e depois coloquei as coisas na bike, saí do albergue já eram 10h. Depois ainda dei mais uma volta pela cidade e até almocei. Mais um Kebab, esse tava bom também, a moça colocou o molho de pimenta, tava bem forte e cheio de batata frita nele. Muito engraçado isso, mas é um sistema bem econômico.
Esperei um pouco o sanduíche descer e comecei a pedalada. Como a França realmente está em reforma, tinha um trecho que tinha um desvio, perguntei para um homem que estava passando se era por lá mesmo que deveria seguir, ele disse que sim, que eu deveria atravessar a ponte e continuar ao longo da autoroute, pois tinha uma pista para bicicletas. Pois bem, lá fui eu. Atravessei a enorme ponte com mais de 1km de subida, mas uma subida suave, nada como a que tive que enfrentar em Lyon. Para minha surpresa, do outro lado uma placa de desvio, tudo bem, desviei, mas quando chego do outro lado um portão, fechado e trancado. E agora? Voltei a ponte na contra-mão mesmo, para minha sorte vinha um senhor de bicicleta, eu ia perguntar como que fazia, mas ele passou por mim e disse: d'autre côte, ou seja, que era pra eu voltar pelo outro lado. E foi embora. Passaram uns caras até com scooter, que nem é permitido. Mas ninguém parou. E ninguém voltava, isso era estranho. Até que veio uma moça, ela parou ao meu apelo. Perguntei se era por ali mesmo, ela disse que sim, mas eu disse que estava trancado, acho que ela não entendeu o que eu quis dizer, ela deve ter pensado que ela sobre o desvio e tal. Bom, sei que ela foi e eu fui atrás, porque por algum lugar esse pessoal passou que ninguém voltou.
Subi toda a ponte novamente no sol do pós meio dia, ainda bem que tinha comido bem. Vi que ela deu de cara no portão trancado também, voltou e passou pelo lado de uma tela que tinha na pista normal. Pra ela passar foi fácil, só a bike e ela, pra mim, um pouco mais difícil, mas eu não ia voltar tudo, passei também. Pedalei por um gramado até chegar no fundo de uma oficina, aí dava acesso a uma rua. Essa rua dava conexão com a rodovia que eu deveria pegar. Esse episódio me fez perder muito tempo, paciência, força e água, mas tudo bem, agora estava no caminho e tudo estava do jeito que deveria estar.
Fui seguindo as cidades, pelo mapa e pela intuição. Deu certo. O único problema era até onde ir. Pelo meus cálculos eu poderia chegar em Mirambeau, que fica a menos de 100km de Bordeaux, o problema é que já havia saído tarde e fiquei dando voltas até realmente sair da cidade.
Depois desse stress todo com o caso da ponte e a incerteza de onde dormir, descansei em St. André-de-Cubzac, na praça du Général de Gaulle, bem movimentada essa cidadezinha, vi passar uns carrões. Inclusive isso é até normal, em qualquer cidadezinha, em qualquer beco tem uma Mercedes, Classe E.

Já havia pedalado 62km e estava em Bourg, dei mais uma paradinha pra descansar. Comi um pouco de biscoitos que eu estava carregando, pra repor as energias e segui rumo a Blaye.
Esse trajeto passa bem próximo ao rio Gironde, que dá nome a região, muitas vezes era possível ver o grande rio, mas a maior parte do tempo ele ficava escondido atrás nas árvores. Num desses locais que era possível ver, parei pra tirar uma foto e descansar um pouco os ombros, porque mais do que pernas e a bunda, o que mais é problemático pra mim é a região logo abaixo da nuca, que fica muito tencionada e na mesma posição durante muito tempo o que ocasiona essa dor. Mas isso acontece normalmente depois dos 30km rodados e passa depois dos 50km. Primeiro ele tenciona, depois anestesia.
Mas eu fui pedalando e já tinha em mente uma coisa, ficar em qualquer lugar, menos em hotel porque é caro. Até cheguei a parar e perguntar em alguns sobre preço, mas era tudo acima de 45 euros. Para mim isso é muito. Se eu fosse ficar uma semana apenas, tudo bem, mas além do que já fiquei, tenho mais alguns dias pela frente.
Fui pedalando pra ver o que dava. Afinal de contas essa história de escurecer tarde bem que poderia ser usada ao meu favor.
Primeiro pensei em parar no meio de uma plantação de uvas e colocar o lençol e dormir ali mesmo. Mas achei meio ruim pelo fato de ser aberto e ter umas formigas por perto. Então andei mais um pouco e achei um restaurante abandonado que estava a venda. Pelo que vi fazia um tempinho que ninguém aparecia por lá, pra mim foi o local perfeito pra passar a noite. Achei algumas coisas pra improvisar uma cama, escovei os dentes e me deitei ali mesmo. O problema é que conforme a noite ia adentrando, chegavam pernilongos, frio e o desejo de estar numa cama. Mas era só essa noite e não tinha mais o que fazer, além do que, eu sempre quis fazer isso pra ver como que é. Acho que pra mim foi uma boa experiência em todos os sentidos. Pra ver como é dormir em qualquer lugar, com incerteza, sem banho, sem conforto algum, sem limpeza, sem nada...
Porque se eu tivesse uma barraca ou mesmo um saco de dormir, acho que teria sido um pouco melhor a minha estadia. Mas de qualquer forma consegui economizar uns trocados e quando precisar sei que poderei fazer isso, mas desde que na próxima noite tenha um albergue ou hotel pra tomar banho, porque fazer isso dois ou até mais noites seguidas eu acredito que não deva ser uma coisa muito agradável. Ainda mais que continuei com a mesma roupa, a mesma meia, tênis, mesmo tudo. Será coincidência de sexta-feira e o décimo terceiro dia da viagem?
Isso, depois de ter pedalado praticamente o dia todo, durante 6h38 (de pedal) e ter feito 105km, mas já eram 20h30, e eu precisava parar em algum lugar antes de escurecer, porque se não seria pior ainda. Sem muita comida e sem muita visibilidade capaz de eu me perder ou cair em algum lugar e ficar por lá mesmo.
Esperei um pouco o sanduíche descer e comecei a pedalada. Como a França realmente está em reforma, tinha um trecho que tinha um desvio, perguntei para um homem que estava passando se era por lá mesmo que deveria seguir, ele disse que sim, que eu deveria atravessar a ponte e continuar ao longo da autoroute, pois tinha uma pista para bicicletas. Pois bem, lá fui eu. Atravessei a enorme ponte com mais de 1km de subida, mas uma subida suave, nada como a que tive que enfrentar em Lyon. Para minha surpresa, do outro lado uma placa de desvio, tudo bem, desviei, mas quando chego do outro lado um portão, fechado e trancado. E agora? Voltei a ponte na contra-mão mesmo, para minha sorte vinha um senhor de bicicleta, eu ia perguntar como que fazia, mas ele passou por mim e disse: d'autre côte, ou seja, que era pra eu voltar pelo outro lado. E foi embora. Passaram uns caras até com scooter, que nem é permitido. Mas ninguém parou. E ninguém voltava, isso era estranho. Até que veio uma moça, ela parou ao meu apelo. Perguntei se era por ali mesmo, ela disse que sim, mas eu disse que estava trancado, acho que ela não entendeu o que eu quis dizer, ela deve ter pensado que ela sobre o desvio e tal. Bom, sei que ela foi e eu fui atrás, porque por algum lugar esse pessoal passou que ninguém voltou.
Subi toda a ponte novamente no sol do pós meio dia, ainda bem que tinha comido bem. Vi que ela deu de cara no portão trancado também, voltou e passou pelo lado de uma tela que tinha na pista normal. Pra ela passar foi fácil, só a bike e ela, pra mim, um pouco mais difícil, mas eu não ia voltar tudo, passei também. Pedalei por um gramado até chegar no fundo de uma oficina, aí dava acesso a uma rua. Essa rua dava conexão com a rodovia que eu deveria pegar. Esse episódio me fez perder muito tempo, paciência, força e água, mas tudo bem, agora estava no caminho e tudo estava do jeito que deveria estar.
Fui seguindo as cidades, pelo mapa e pela intuição. Deu certo. O único problema era até onde ir. Pelo meus cálculos eu poderia chegar em Mirambeau, que fica a menos de 100km de Bordeaux, o problema é que já havia saído tarde e fiquei dando voltas até realmente sair da cidade.
Depois desse stress todo com o caso da ponte e a incerteza de onde dormir, descansei em St. André-de-Cubzac, na praça du Général de Gaulle, bem movimentada essa cidadezinha, vi passar uns carrões. Inclusive isso é até normal, em qualquer cidadezinha, em qualquer beco tem uma Mercedes, Classe E.

Já havia pedalado 62km e estava em Bourg, dei mais uma paradinha pra descansar. Comi um pouco de biscoitos que eu estava carregando, pra repor as energias e segui rumo a Blaye.
Esse trajeto passa bem próximo ao rio Gironde, que dá nome a região, muitas vezes era possível ver o grande rio, mas a maior parte do tempo ele ficava escondido atrás nas árvores. Num desses locais que era possível ver, parei pra tirar uma foto e descansar um pouco os ombros, porque mais do que pernas e a bunda, o que mais é problemático pra mim é a região logo abaixo da nuca, que fica muito tencionada e na mesma posição durante muito tempo o que ocasiona essa dor. Mas isso acontece normalmente depois dos 30km rodados e passa depois dos 50km. Primeiro ele tenciona, depois anestesia.
Mas eu fui pedalando e já tinha em mente uma coisa, ficar em qualquer lugar, menos em hotel porque é caro. Até cheguei a parar e perguntar em alguns sobre preço, mas era tudo acima de 45 euros. Para mim isso é muito. Se eu fosse ficar uma semana apenas, tudo bem, mas além do que já fiquei, tenho mais alguns dias pela frente.
Fui pedalando pra ver o que dava. Afinal de contas essa história de escurecer tarde bem que poderia ser usada ao meu favor.
Primeiro pensei em parar no meio de uma plantação de uvas e colocar o lençol e dormir ali mesmo. Mas achei meio ruim pelo fato de ser aberto e ter umas formigas por perto. Então andei mais um pouco e achei um restaurante abandonado que estava a venda. Pelo que vi fazia um tempinho que ninguém aparecia por lá, pra mim foi o local perfeito pra passar a noite. Achei algumas coisas pra improvisar uma cama, escovei os dentes e me deitei ali mesmo. O problema é que conforme a noite ia adentrando, chegavam pernilongos, frio e o desejo de estar numa cama. Mas era só essa noite e não tinha mais o que fazer, além do que, eu sempre quis fazer isso pra ver como que é. Acho que pra mim foi uma boa experiência em todos os sentidos. Pra ver como é dormir em qualquer lugar, com incerteza, sem banho, sem conforto algum, sem limpeza, sem nada...
Porque se eu tivesse uma barraca ou mesmo um saco de dormir, acho que teria sido um pouco melhor a minha estadia. Mas de qualquer forma consegui economizar uns trocados e quando precisar sei que poderei fazer isso, mas desde que na próxima noite tenha um albergue ou hotel pra tomar banho, porque fazer isso dois ou até mais noites seguidas eu acredito que não deva ser uma coisa muito agradável. Ainda mais que continuei com a mesma roupa, a mesma meia, tênis, mesmo tudo. Será coincidência de sexta-feira e o décimo terceiro dia da viagem?
Isso, depois de ter pedalado praticamente o dia todo, durante 6h38 (de pedal) e ter feito 105km, mas já eram 20h30, e eu precisava parar em algum lugar antes de escurecer, porque se não seria pior ainda. Sem muita comida e sem muita visibilidade capaz de eu me perder ou cair em algum lugar e ficar por lá mesmo.


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