Relatos de viagens ciclísticas.

sábado, setembro 09, 2006

Décimo nono dia (10/08): rumo a Redon

Descansando depois do almoço em Nantes
Levantei relativamente cedo, arrumei as coisas e fui procurar algum lugar aberto pra comer. Achei uma boulangerie, comprei um sanduíche que estava muito bom e pra acompanhar como sobremesa um doce de chocolate também muito bom que deu uma boa força pra poder pedalar mais um dia todo. Gastei 4,55€, no hotel seriam 7€, mas com certeza seria um café mais completo, ou pelo menos com café. Para mim interessava apenas gastar pouco e ingerir muitas calorias.
Aproveitei e perguntei pra uma mulher que passava se para ir até Redon era por lá onde eu achava, e realmente era. Apenas seguir a rua do hotel, que já era a petit route.
Entre 8h30 e 9h eu já estava pedalando, devagar, porque era cedo e tinha comido, mas estava indo.
O trajeto até Nantes foi relativamente tranqüilo, ou porque era apenas o início da viagem. Foram mais ou menos uns 40km de subidas e descidas com o trajeto bem sombreado e ventava muito, fazia frio. Até Nantes fui com casaco, porque se não passaria frio, mesmo pedalando.
Como ontem não consegui achar nenhum Kebab aberto em Montaingu, minha missão era achar um em Nantes. Foi extremamente fácil. Segui para o centro da cidade, pedi um mapa no escritório de turismo, nem sei porque pedi, já que não ficaria mais que alguns minutos, mas é bom pra guardar de recordação e aumentar o peso da bagagem. Numa avenida encontrei lado a lado duas casas de Kebab com a mesma promoção: o sanduíche + fritas + bebida por 5€. Perfeito. Eu queria mesmo beber uma Coca-Cola e o preço estava na média. Pedi e me sentei a mesa e comi, enquanto um passarinho veio me fazer companhia. Ficou lá, voando, pousando na mesa, esperando alguma migalha, cantou, bateu asas, mas não tinha nada pra ele. Apesar da minha má hospitalidade, gostei da dele, foi uma boa companhia para o meu almoço em Nantes.
Dei mais uma voltinha na cidade, até uma praça pra poder descansar um pouco mais e seguir viagem até Redon.
Eram muitas subidas e descidas, com vento forte contra, o que fazia com que a viagem não rendesse muito, fazia apenas aumentar o meu esforço em pedalar. Isso é muito angustiante, pedalar, forçar e não sair do lugar. Quando o vento diminuía ou até parava por alguns breves instantes, eu via como fazia a diferença, mas não adiantava, não tinha jeito, o que me restava era pedalar assim mesmo.
Eu não estava mais tão longe agora, apesar de parecer que faltava muito. Cansado, vento contra, querendo chegar logo, tudo isso fazia com que os 10, 5, 3km que faltavam fossem uma eternidade. Continuei pedalando, firme e forte com forças que nem sei de onde tiro pra continuar, só sei que continuo.
Por volta das 18h estava na cidade. Fui até o centro, vi no mapa do ponto de ônibus mesmo onde era o albergue e fui até lá. Uma moça muito simpática me recepcionou, mostrou o quarto, a cozinha, onde guardar a bicicleta, tudo muito bom. Principalmente o fato de que ficarei num quarto sozinho, mesmo tendo duas camas. Porque acho que os quartos lá são assim, pra duas pessoas. Como só estava eu lá, pude deixar minhas coisas mais à vontade, mais jogadas, é muito bom ter o próprio cantinho pra deixar as coisas, sem preocupação de perturbar ou ser perturbado. Poder entrar e sair, dormir tarde (ou cedo) acordar cedo (ou tarde).
Já deixei pago o albergue, porque pretendia sair cedo, deixei os 14,55€. Esse preço é com os lençóis e o selo da FUAJ, mas não tem café da manhã. Por mim tudo bem, é só passar no mercado e comprar alguma coisa, já que no hotel também não teve nada.
Fui no SuperU bem próximo ao albergue, já que a cidade é pequena, tudo é próximo mesmo. Gastei 7,87€ e comprei o jantar: spaghetti, molho pronto e queijo emmental ralado. Comprei também chocolate, pringles e um bolo seco misto com chocolate. Comi boa parte do chocolate enquanto preparava a massa, comi a papa, dessa vez sem vinho. Enquanto eu estava na cozinha veio uma mulher preparar o jantar dela também. Ela começou a conversar comigo, então eu disse que era do Brasil e estava aqui pra andar de bicicleta e fazer um documentário, que estava indo rumo a St. Malo, mas amanhã iria a Rennes. Ela disse que conhecia um caminho bom pra ir de bicicleta, ao longo de um canal, mas não achei muito boa idéia, porque me parecia mais longe e o caminho acho que não era de asfalto, era de terra batida mesmo. Se eu tivesse só com a bike acho que até rolava de ir, mas com essas bagagens todas fica um pouco mais complicado.
Voltei ao meu querido quarto que tinha a pia e o chuveiro, daqueles que tem que segurar com a mão, mas até tinha o apoio na parede, mas é muito estranho isso. O toilette ou WC ficava fora do quarto, mas pelo que percebi só eu estava naquele andar. Vi umas pessoas em outras janelas, no andar debaixo, mas no meu lá, só eu mesmo. Não é um lugar muito visitado, por isso é mais fácil de ter lugar, tanto que sobra, e é mais barato.
Bom, depois de ter pedalado 109,33km durante 6h44:30 e ainda dado umas voltas a pé pela cidade para registrar algumas imagens, era hora de dormir. Lá fui eu pra caminha, que beleza que é descansar.
Nesse tipo de viagem é que a gente dá valor realmente a um banho, uma cama, uma boa noite de sono e descanso. No dia a dia, às vezes tudo isso parece tão banal e automático, tão normal, que nem nos damos conta de que isso é fundamental e muito bom.
O único problema mesmo é que fiquei isolado hoje, sem me comunicar com ninguém, nem por telefone, nem por e-mail. Uma pena não ter internet de graça em todos albergues, mas também, seria uma loucura em alguns. Acho que um WiFi de graça já tava bom, que nem em Lyon, foi perfeito aquilo.