Décimo quarto dia: Cognac e Saintes (05/08)

As minhas instalações não foram das melhores, fiquei sem banho, sem trocar de roupa, mas não tinha ninguém por perto pra reclamar, então levantei assim que começou a clarear lá pelas 6h da manhã e continuei a viagem. Estava realmente muito frio. Eu pedalava mas em vez de aquecer, o vento fazia com que eu ficasse mais gelado. Quando o vento diminuiu um pouco, tinha mais árvores pelo caminho e mais subidas também, aí começou a esquentar um pouco. Mas chegava a sair fumaça da boca de frio, às vezes eu tremia, em descidas, por exemplo.
Às 8h50 cheguei em Pons, parei um pouco pra descansar e comer alguma coisa com sustância. Eu estava indo em direção ao centro da cidade, mas além de estar tudo vazio, tinha uma grande subida, desisti e voltei a uma boulangerie que eu tinha visto. Pedi um sandwish de saucisson sèc e um café pequeno, me sentei ao sol, porque essa hora eu precisava me esquentar, e podia ficar olhando a bicicleta, apesar de ali não representar perigo algum. Comi o super sanduba, paguei os 4,10 euros e segui viagem.
Mas o lanche era muito pesado mesmo, tive que parar logo mais à frente pra fazer a digestão. Eu ia parar numa concessionária Peugeot, mas quando cheguei perto apareceram uns cães, pedalei mais um pouco e parei numa entradinha que tinha mesmo. Descansei e esperei uns minutos pra digestão e voltei a pedalar, aí foi tudo bem. Eu tava indo num ritmo bom, porque erra fresco e plaino. Cheguei em Cognac umas 11h. Fui direto ao escritório de turismo pedir o mapa e informações sobre albergues.
Antes de começar o tour realmente pela cidade, parei no mercado e comprei um sanduíche, um litro de suco de laranja (só tinha de litro) e um pedaço de torta de chocolate pra servir de almoço, porque eu havia pedalado muito nesses dois dias e depois ainda tinha o trecho até Saintes.
Vi no mapa onde era a praça, e para o meu espanto era muito lindo. O jardim público fica em frente ao Hotel de Ville, que também é uma construção e tanto. Sentei num banco, pra descansar e beber o suco. Comecei a beber pra repor os líquidos e energias, já comi o sanduíche também e já que tinha almoçado, comi a torta como sobremesa. Eu estava realmente cheio, acho que só o litro de suco já bastaria pra encher. Fiquei mais uns 20 minutos no banco da praça pra poder me levantar. Peguei a câmera e comecei a filmar o parque, a cidade, as ruas, as empresas de Cognac. Até pensei em fazer uma visita a uma ou duas delas, mas eu acho que não daria tempo suficiente. E o fato de ter ido até lá pra mim já vale a pena. Mas nesse momento eu precisava mesmo era de um belo banho.
Andei pela cidade toda, que não é muito grande, mas talvez por ser sábado estava cheia de turistas e pessoas cheias da grana, porque eram muitos carrões e motos, vi até umas Harleys. O mais engraçado é que pela proximidade com a Inglaterra, vi muitos carros com o volante na direita, mas andando no nosso sentido isso fica sem sentido, muito bizarro.
Bom, hora de continuar a viagem, agora não faltava mais muito, uns 26km apenas. O problema era o sol que estava quente a essa hora, bem diferente da manhã e as muitas subidas com trânsito intenso na rodovia. Foi um dos trajetos mais difíceis pra se fazer por esses motivos, mas não tive medo porque todos os motoristas dão a distância correta ou diminuem e passam quando tem mais segurança, sempre sem reclamar e com muito cuidado.
Tive que parar mais vezes pelo cansaço e calor. Mas sempre ia achando umas torneiras pelo caminho quando precisava. Quando fui parar numa sombra boa, um cachorro ficou latindo, veio a dona e disse que eu não poderia ficar ali. Que saco, era tão bom o lugar, uma sombra, gramado, tinha até tirado o tênis. Pedalei mais um pouco, parei, bebi água e fui assim até chegar em Saintes.
Como eu já tinha o mapa da cidade, fui direto para o albergue, foi bem tranqüilo de achar, porque a cidade tem basicamente uma avenida principal, e o albergue era bem próximo a ela. O problema foi que não tinha mais lugar no albergue, estava lotado. Até liguei de Cognac pra reservar, mas estava fechado o atendimento. O bom foi que ele me indicou o hotel mais barato da cidade, Le Parisien, próximo a estação de trem, e não longe dessa avenida e centro também, é tudo bem perto. O hotel até é bom, pelos 23 euros mais 3,5 do café da manhã. E ainda tem a opção de um café da manhã mais completo por 5.
Levei minha coisas para o quarto, tomei banho finalmente e vi que ganhei uma alergia no lombo direito. Não sei se do calor ou de alguma coisa lá do restaurante abandonado. Mas acho que logo passa. Isso que dá ficar direto com a mesma roupa dois dias.
Resolvi sair a pé pela cidade, tudo pertinho, e assim poderia ir mais tranquilamente. Coloquei bermuda, camiseta e chinelo e saí. Com o mapinha na mãos passei nos pontos que quis, filmei e depois procurei algum lugar pra comer. Nessa avenida principal as únicas coisas abertas lá pelas 19h eram uns poucos restaurantes, assim como em todo o resto da cidade. Quando vi escrito Kebab, não pensei duas vezes e fui pedir um desses. Aqui é um pouco mais caro, paguei 4,8 pelo American Kebab com fritas, lá em Bordeaux paguei 3,5 com fritas. Mas de qualquer forma eu precisava comer e hoje é sábado e não ia ter mais nada aberto além de restaurantes e pizzarias. Até pensei em comer uma pizza, mas iria gastar uns 10 euros pelo menos. Do jeito que a coisa tá caminhando agora acho que o dinheiro vai dar, o que tenho mais o que posso sacar no cartão. Qualquer coisa, se faltar um pouco no final, uso o de crédito mesmo. Já que estou falido, que seja falido de vez.
Acho que conheci a cidade em 2h andando a pé, isso é muito bom. Depois que eu jantei, a cidade ficou morta. Mas ainda estava claro.
Resolvi avisar as pessoas do Brasil que estou bem, já que não dei mais notícias e internet aqui deve ser lenda. Como eu ainda tenho o cartão telefônico tentei ligar pra reservar o albergue em Rochefort, mas estava fechado. Temo que aconteça o mesmo que aqui, mas acho que não. Porque pelo que vi, o albergue aqui custa uns 14 euros, tá no nível do de Nancy. E se eu conseguir pegar o albergue por esse preço em Rochefort ou La Rochelle, dependendo da cidade, pode ser que eu fique mais lá pra poder descansar um pouco e pensar na vida, se não vou seguindo viagem conforme eu planejei.
Mas enfim, liguei pra casa também, a Leilane atendeu, falei que está tudo bem, tudo certo e assim que der mando um e-mail explicando melhor o roteiro que irei fazer que nem eu sabia direito. E acho que pode ser que mude.
Depois liguei na casa do meu amore, ninguém atendeu. Sábado, dia normal pra sair. Pensei em ligar mais tarde, mas não estava afim de sair depois novamente pra isso. Liguei no celular dela mesmo, porque também não sabia se ela ia demorar muito ou não pra voltar pra casa. E ligar amanhã acho que nem rolaria, porque pretendo ligar ou mandar e-mail na segunda, dia 7, porque é data especial, 1 ano e 3 meses de namoro oficial. Deixei planejado de entregar um buquê de rosas da Galeria das Flores com um bilhete contendo o endereço de uma página na internet. E nessa página tem alguns dizeres, umas fotos e um contador regressivo para a minha volta. Achei bem interessante isso, espero que ela goste também.
Hoje fiz ao todo 100km durante 6h36 de pedalada. Amanhã se eu parar em Rochefort mesmo, será bem menor o trajeto a percorrer, agora se eu tiver que ir mais adiante ou até La Rochelle, a coisa fica puxada mesmo. Bom, isso só vou saber amanhã, hoje sei que estou com saudades do meu amore. Foi muito bom ter ligado pra ela, gostaria de poder me tele transportar da mesma forma que a minha voz chega até ela, dar um abraço, um beijo, ficar um tempo lá, e depois continuar minha viagem. Mesmo sem poder fazer isso, encontro forças pra continuar nas lembranças de tudo que já passamos.
Outra coisa de bom é que passei pela região mais famosa do mundo na produção de vinho e derivados, como o cognac e logo estarei na praia. E espero que numa cama boa. A cama desse hotel aqui é muito boa mesmo.
Às 8h50 cheguei em Pons, parei um pouco pra descansar e comer alguma coisa com sustância. Eu estava indo em direção ao centro da cidade, mas além de estar tudo vazio, tinha uma grande subida, desisti e voltei a uma boulangerie que eu tinha visto. Pedi um sandwish de saucisson sèc e um café pequeno, me sentei ao sol, porque essa hora eu precisava me esquentar, e podia ficar olhando a bicicleta, apesar de ali não representar perigo algum. Comi o super sanduba, paguei os 4,10 euros e segui viagem.
Mas o lanche era muito pesado mesmo, tive que parar logo mais à frente pra fazer a digestão. Eu ia parar numa concessionária Peugeot, mas quando cheguei perto apareceram uns cães, pedalei mais um pouco e parei numa entradinha que tinha mesmo. Descansei e esperei uns minutos pra digestão e voltei a pedalar, aí foi tudo bem. Eu tava indo num ritmo bom, porque erra fresco e plaino. Cheguei em Cognac umas 11h. Fui direto ao escritório de turismo pedir o mapa e informações sobre albergues.
Antes de começar o tour realmente pela cidade, parei no mercado e comprei um sanduíche, um litro de suco de laranja (só tinha de litro) e um pedaço de torta de chocolate pra servir de almoço, porque eu havia pedalado muito nesses dois dias e depois ainda tinha o trecho até Saintes.
Vi no mapa onde era a praça, e para o meu espanto era muito lindo. O jardim público fica em frente ao Hotel de Ville, que também é uma construção e tanto. Sentei num banco, pra descansar e beber o suco. Comecei a beber pra repor os líquidos e energias, já comi o sanduíche também e já que tinha almoçado, comi a torta como sobremesa. Eu estava realmente cheio, acho que só o litro de suco já bastaria pra encher. Fiquei mais uns 20 minutos no banco da praça pra poder me levantar. Peguei a câmera e comecei a filmar o parque, a cidade, as ruas, as empresas de Cognac. Até pensei em fazer uma visita a uma ou duas delas, mas eu acho que não daria tempo suficiente. E o fato de ter ido até lá pra mim já vale a pena. Mas nesse momento eu precisava mesmo era de um belo banho.
Andei pela cidade toda, que não é muito grande, mas talvez por ser sábado estava cheia de turistas e pessoas cheias da grana, porque eram muitos carrões e motos, vi até umas Harleys. O mais engraçado é que pela proximidade com a Inglaterra, vi muitos carros com o volante na direita, mas andando no nosso sentido isso fica sem sentido, muito bizarro.
Bom, hora de continuar a viagem, agora não faltava mais muito, uns 26km apenas. O problema era o sol que estava quente a essa hora, bem diferente da manhã e as muitas subidas com trânsito intenso na rodovia. Foi um dos trajetos mais difíceis pra se fazer por esses motivos, mas não tive medo porque todos os motoristas dão a distância correta ou diminuem e passam quando tem mais segurança, sempre sem reclamar e com muito cuidado.
Tive que parar mais vezes pelo cansaço e calor. Mas sempre ia achando umas torneiras pelo caminho quando precisava. Quando fui parar numa sombra boa, um cachorro ficou latindo, veio a dona e disse que eu não poderia ficar ali. Que saco, era tão bom o lugar, uma sombra, gramado, tinha até tirado o tênis. Pedalei mais um pouco, parei, bebi água e fui assim até chegar em Saintes.
Como eu já tinha o mapa da cidade, fui direto para o albergue, foi bem tranqüilo de achar, porque a cidade tem basicamente uma avenida principal, e o albergue era bem próximo a ela. O problema foi que não tinha mais lugar no albergue, estava lotado. Até liguei de Cognac pra reservar, mas estava fechado o atendimento. O bom foi que ele me indicou o hotel mais barato da cidade, Le Parisien, próximo a estação de trem, e não longe dessa avenida e centro também, é tudo bem perto. O hotel até é bom, pelos 23 euros mais 3,5 do café da manhã. E ainda tem a opção de um café da manhã mais completo por 5.
Levei minha coisas para o quarto, tomei banho finalmente e vi que ganhei uma alergia no lombo direito. Não sei se do calor ou de alguma coisa lá do restaurante abandonado. Mas acho que logo passa. Isso que dá ficar direto com a mesma roupa dois dias.
Resolvi sair a pé pela cidade, tudo pertinho, e assim poderia ir mais tranquilamente. Coloquei bermuda, camiseta e chinelo e saí. Com o mapinha na mãos passei nos pontos que quis, filmei e depois procurei algum lugar pra comer. Nessa avenida principal as únicas coisas abertas lá pelas 19h eram uns poucos restaurantes, assim como em todo o resto da cidade. Quando vi escrito Kebab, não pensei duas vezes e fui pedir um desses. Aqui é um pouco mais caro, paguei 4,8 pelo American Kebab com fritas, lá em Bordeaux paguei 3,5 com fritas. Mas de qualquer forma eu precisava comer e hoje é sábado e não ia ter mais nada aberto além de restaurantes e pizzarias. Até pensei em comer uma pizza, mas iria gastar uns 10 euros pelo menos. Do jeito que a coisa tá caminhando agora acho que o dinheiro vai dar, o que tenho mais o que posso sacar no cartão. Qualquer coisa, se faltar um pouco no final, uso o de crédito mesmo. Já que estou falido, que seja falido de vez.
Acho que conheci a cidade em 2h andando a pé, isso é muito bom. Depois que eu jantei, a cidade ficou morta. Mas ainda estava claro.
Resolvi avisar as pessoas do Brasil que estou bem, já que não dei mais notícias e internet aqui deve ser lenda. Como eu ainda tenho o cartão telefônico tentei ligar pra reservar o albergue em Rochefort, mas estava fechado. Temo que aconteça o mesmo que aqui, mas acho que não. Porque pelo que vi, o albergue aqui custa uns 14 euros, tá no nível do de Nancy. E se eu conseguir pegar o albergue por esse preço em Rochefort ou La Rochelle, dependendo da cidade, pode ser que eu fique mais lá pra poder descansar um pouco e pensar na vida, se não vou seguindo viagem conforme eu planejei.
Mas enfim, liguei pra casa também, a Leilane atendeu, falei que está tudo bem, tudo certo e assim que der mando um e-mail explicando melhor o roteiro que irei fazer que nem eu sabia direito. E acho que pode ser que mude.
Depois liguei na casa do meu amore, ninguém atendeu. Sábado, dia normal pra sair. Pensei em ligar mais tarde, mas não estava afim de sair depois novamente pra isso. Liguei no celular dela mesmo, porque também não sabia se ela ia demorar muito ou não pra voltar pra casa. E ligar amanhã acho que nem rolaria, porque pretendo ligar ou mandar e-mail na segunda, dia 7, porque é data especial, 1 ano e 3 meses de namoro oficial. Deixei planejado de entregar um buquê de rosas da Galeria das Flores com um bilhete contendo o endereço de uma página na internet. E nessa página tem alguns dizeres, umas fotos e um contador regressivo para a minha volta. Achei bem interessante isso, espero que ela goste também.
Hoje fiz ao todo 100km durante 6h36 de pedalada. Amanhã se eu parar em Rochefort mesmo, será bem menor o trajeto a percorrer, agora se eu tiver que ir mais adiante ou até La Rochelle, a coisa fica puxada mesmo. Bom, isso só vou saber amanhã, hoje sei que estou com saudades do meu amore. Foi muito bom ter ligado pra ela, gostaria de poder me tele transportar da mesma forma que a minha voz chega até ela, dar um abraço, um beijo, ficar um tempo lá, e depois continuar minha viagem. Mesmo sem poder fazer isso, encontro forças pra continuar nas lembranças de tudo que já passamos.
Outra coisa de bom é que passei pela região mais famosa do mundo na produção de vinho e derivados, como o cognac e logo estarei na praia. E espero que numa cama boa. A cama desse hotel aqui é muito boa mesmo.



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