Décimo oitavo dia: rumo a Nantes (09/08)
Acordei em Fontenay-le-Comte lá pelas 7h30, desci, tomei café, acabei de arrumar as coisas e até pegar no tranco já eram 9h e pouco. Até sair realmente o relógio já pendia para 10h. O tempo não pára, e passa voando.
Até Cholet eu não teria muito caminho pela frente mesmo, ia dar certo. Fui seguindo o caminho, pensando estar perdido, mas de repente veio uma placa indicando que eu estava no caminho certo. Ainda bem, porque já tinha rodado uns 10km, e de bike isso é muito. Toda vez que vou pedir informação ouço a mesma coisa, tout droite, acho que os caminhos são bem retos por aqui, é sempre assim, vira a direita e segue sempre reto, ou vira a esquerda, aí vai ter uma rotatória e depois segue reto. E quando vou pedir água, normalmente perguntam de onde estou vindo, pra onde vou, onde moro (país), essas coisas. Aí finalizam dizendo Bonne courage!
Tout droit e bonne courage são as coisas que mais escuto.
Lá fui eu pedalando e pedalando, parei numa cidade, resolvi ligar no albergue pra fazer a reserva, só como garantia, antes de pedalar uns 80 ou 90km e me deparar com o lugar cheio. E foi bom, porque realmente não tinha mais lugar. Tive que mudar os planos. Fui seguindo o caminho rumo a Nantes, o problema é que eu não chegaria lá hoje, quer dizer, chegar até chegaria, mas seria uma longa jornada, perto de 170km. Achei muita coisa pra um dia apenas, sem contar que chegaria tarde, capaz do albergue nem me receber mais. Achei melhor ir até próximo a Nantes, dormir em alguma cidade e amanhã seguir o caminho a St Malo, passar por Nantes e seguir mais um pouco. Tudo diferente, mas é a vida, estamos sempre em mudança.
Meio dia cheguei em Pouzauges, resolvi comprar umas coisas pro almoço e deixar um pouco de reserva também, sempre bom ter algo pra lambiscar. Comprei lingüiça, queijo, maça, banana, uns salgadinhos sabor bacon e uma garrafa de Poweraid de limão, a qual caiu muito bem, bem geladinha. Depois comprei o pão, gastei 8,72€ nisso tudo, uma coisa importante a se ressaltar é que os supermercados de Bordeaux pra frente não fornecem sacolas, o que pra mim não é problema, pois vou consumir tudo na hora mesmo e tenho a bike pra carregar tudo. Sentei numa sombra ao lado da igreja e preparei os sanduíches com manteiga do albergue, afinal de contas eram tabletes pequenos da Président. Descansei um pouco, esperei a digestão apesar começar e segui viagem.
O trajeto estava bem tranqüilo até aqui, com paisagens lindas, algumas subidas e descidas, mas bastante sombra. Foi realmente muito agradável.
Hoje eu andei demais porque eu estava indo pra um rumo e tive que mudar, isso me tirou tempo e andei mais que o previsto, se não acho que até dava pra ir direto a Nantes.
Quando cheguei a Les Herbies perdi o rumo da D755 e acabei pegando direção da N137. No início dela e alguns trechos até tinha bastante sombra e mata fechada, muito linda, mas na maior parte não tinha nada, afinal é uma rodovia. Assim como as autoroutes não tem nada além da pista.
Eu já estava cansado, sem saber o que fazer ao certo, só sabia que tinha que ir um pouco mais, mais perto de Nantes. Olhava no relógio, a hora avançava e os quilômetros já passavam dos 100km, a fadiga era grande, mas eu ainda tinha que ir um pouco mais. E quando pensava isso vinha uma subida, mas depois a descida, mas depois vinha outra subida...
E as subidas eram grandes, cada vez mais grandes, pareciam...
Decidi que pararia em Montaigu mesmo. Nada de procurar imóveis abandonados hoje, apesar de eu ter visto uns pela estrada. Mas prefiro gastar um pouco mais e tomar um banho e descansar bem, numa cama. De qualquer forma foi muito boa mesmo a experiência de ter dormido naquele restaurante abandonado.
Quando cheguei na cidade nem acreditava que tinha conseguido. Vi as placas: centro da cidade e estação SNCF, pelo horário sabia que o escritório de turismo estaria fechado, então segui até a estação, mas era tão longe, acho que andei mais uns 2,5km até chegar, e a essa altura do campeonato era uma eternidade, assim como as subidas que tive que enfrentar até chegar.
Pedi para o atendente se ele tinha um mapa da cidade, ele me deu um. Agradeci. Ia saindo quando ele gritou lá de dentro dizendo que era dele e ele havia apenas emprestado. Dei uma olhada, mas fui pro centro da cidade mesmo. Achei um hotel, entrei, perguntei se ele conhecia algum lugar não muito caro. Ele falou que aqui só tinha esse hotel mesmo, o outro estava fechado. O quarto custa 42€, mas ele me arranjou um que custa 30€ e fez por 25€. É que o vaso sanitário é comunitário, mas acho que estou sozinho aqui nesse esquema, e pra mim não é novidade isso. Pagando menos, tá ótimo. O hotel é bem lindo até filmei um pouco. O quarto é muito bom, a ducha é perfeita, tem bastante força. Cama de casal, enorme e macia. Decoração perfeita, antiga, porque o prédio é antigo. A chave e a fechadura é que nem do hotel de Saintes.
O problema agora era comer. Mas o rapaz da recepção me indicou um lugar perto que tinha Kebab.
Fui no banheiro, tomei banho e saí. O problema é que esse lugar do Kebab estava fechado, de férias. E aberto só tinha o restaurante do hotel, caro, outro restaurante, menos caro e uma pizzaria e creperia. Fui nessa. Pedi uma pizza que tinha bacon, mas era um bacon estranho, paguei 8,70€ na pizza, que nem me supriu totalmente, mas amanhã eu como melhor. De qualquer forma foi bom ir num lugar onde tem mais gente, pessoas comuns ou turistas mesmo, agindo normalmente. É legal ver como elas se comportam, o que comem, essas coisas. E o lugar era muito lindo, bem colorido e cheio de detalhes interessantes, mas foi caro pra mim.
Voltei ao hotel e fui usufruir de algumas coisas como a TV. Mas estava passando um reality show, um programa musical ou de jogos, nem sei, no outro coisas de arte, ou quase, e ainda no outro umas coisas sobre uns ricos, esse era legal de ver e sonhar.
Então deixei nesse canal e fiquei escrevendo o diário. Quando de repente ouço a moça anunciar Desperate Housewives. Achei o máximo isso, ainda mais que é dublado! Elas falando francês é muito engraçado. Mas não adianta, sempre que dubla fica um horror. Já são 23h, preciso dormir, deixa o seriado pra outra hora, porque nem sei que capítulo é esse. Mas acho que é antigo, já passou no Brasil, justamente porque lá é legendado apenas, dublar demora mais. Acho que o cara ainda ta preso e os Applewhites acabaram de chegar, pelo que entendi. Nem fiquei vendo direto, cansado...
Total pedalado hoje 133,63km em 7h13:57, foi uma boa jornada e o hotel foi bem confortável pra repor as energias, apesar do gasto financeiro maior.
Tout droit e bonne courage são as coisas que mais escuto.
Lá fui eu pedalando e pedalando, parei numa cidade, resolvi ligar no albergue pra fazer a reserva, só como garantia, antes de pedalar uns 80 ou 90km e me deparar com o lugar cheio. E foi bom, porque realmente não tinha mais lugar. Tive que mudar os planos. Fui seguindo o caminho rumo a Nantes, o problema é que eu não chegaria lá hoje, quer dizer, chegar até chegaria, mas seria uma longa jornada, perto de 170km. Achei muita coisa pra um dia apenas, sem contar que chegaria tarde, capaz do albergue nem me receber mais. Achei melhor ir até próximo a Nantes, dormir em alguma cidade e amanhã seguir o caminho a St Malo, passar por Nantes e seguir mais um pouco. Tudo diferente, mas é a vida, estamos sempre em mudança.
Meio dia cheguei em Pouzauges, resolvi comprar umas coisas pro almoço e deixar um pouco de reserva também, sempre bom ter algo pra lambiscar. Comprei lingüiça, queijo, maça, banana, uns salgadinhos sabor bacon e uma garrafa de Poweraid de limão, a qual caiu muito bem, bem geladinha. Depois comprei o pão, gastei 8,72€ nisso tudo, uma coisa importante a se ressaltar é que os supermercados de Bordeaux pra frente não fornecem sacolas, o que pra mim não é problema, pois vou consumir tudo na hora mesmo e tenho a bike pra carregar tudo. Sentei numa sombra ao lado da igreja e preparei os sanduíches com manteiga do albergue, afinal de contas eram tabletes pequenos da Président. Descansei um pouco, esperei a digestão apesar começar e segui viagem.
O trajeto estava bem tranqüilo até aqui, com paisagens lindas, algumas subidas e descidas, mas bastante sombra. Foi realmente muito agradável.
Hoje eu andei demais porque eu estava indo pra um rumo e tive que mudar, isso me tirou tempo e andei mais que o previsto, se não acho que até dava pra ir direto a Nantes.
Quando cheguei a Les Herbies perdi o rumo da D755 e acabei pegando direção da N137. No início dela e alguns trechos até tinha bastante sombra e mata fechada, muito linda, mas na maior parte não tinha nada, afinal é uma rodovia. Assim como as autoroutes não tem nada além da pista.
Eu já estava cansado, sem saber o que fazer ao certo, só sabia que tinha que ir um pouco mais, mais perto de Nantes. Olhava no relógio, a hora avançava e os quilômetros já passavam dos 100km, a fadiga era grande, mas eu ainda tinha que ir um pouco mais. E quando pensava isso vinha uma subida, mas depois a descida, mas depois vinha outra subida...
E as subidas eram grandes, cada vez mais grandes, pareciam...
Decidi que pararia em Montaigu mesmo. Nada de procurar imóveis abandonados hoje, apesar de eu ter visto uns pela estrada. Mas prefiro gastar um pouco mais e tomar um banho e descansar bem, numa cama. De qualquer forma foi muito boa mesmo a experiência de ter dormido naquele restaurante abandonado.
Quando cheguei na cidade nem acreditava que tinha conseguido. Vi as placas: centro da cidade e estação SNCF, pelo horário sabia que o escritório de turismo estaria fechado, então segui até a estação, mas era tão longe, acho que andei mais uns 2,5km até chegar, e a essa altura do campeonato era uma eternidade, assim como as subidas que tive que enfrentar até chegar.
Pedi para o atendente se ele tinha um mapa da cidade, ele me deu um. Agradeci. Ia saindo quando ele gritou lá de dentro dizendo que era dele e ele havia apenas emprestado. Dei uma olhada, mas fui pro centro da cidade mesmo. Achei um hotel, entrei, perguntei se ele conhecia algum lugar não muito caro. Ele falou que aqui só tinha esse hotel mesmo, o outro estava fechado. O quarto custa 42€, mas ele me arranjou um que custa 30€ e fez por 25€. É que o vaso sanitário é comunitário, mas acho que estou sozinho aqui nesse esquema, e pra mim não é novidade isso. Pagando menos, tá ótimo. O hotel é bem lindo até filmei um pouco. O quarto é muito bom, a ducha é perfeita, tem bastante força. Cama de casal, enorme e macia. Decoração perfeita, antiga, porque o prédio é antigo. A chave e a fechadura é que nem do hotel de Saintes.
O problema agora era comer. Mas o rapaz da recepção me indicou um lugar perto que tinha Kebab.
Fui no banheiro, tomei banho e saí. O problema é que esse lugar do Kebab estava fechado, de férias. E aberto só tinha o restaurante do hotel, caro, outro restaurante, menos caro e uma pizzaria e creperia. Fui nessa. Pedi uma pizza que tinha bacon, mas era um bacon estranho, paguei 8,70€ na pizza, que nem me supriu totalmente, mas amanhã eu como melhor. De qualquer forma foi bom ir num lugar onde tem mais gente, pessoas comuns ou turistas mesmo, agindo normalmente. É legal ver como elas se comportam, o que comem, essas coisas. E o lugar era muito lindo, bem colorido e cheio de detalhes interessantes, mas foi caro pra mim.
Voltei ao hotel e fui usufruir de algumas coisas como a TV. Mas estava passando um reality show, um programa musical ou de jogos, nem sei, no outro coisas de arte, ou quase, e ainda no outro umas coisas sobre uns ricos, esse era legal de ver e sonhar.
Então deixei nesse canal e fiquei escrevendo o diário. Quando de repente ouço a moça anunciar Desperate Housewives. Achei o máximo isso, ainda mais que é dublado! Elas falando francês é muito engraçado. Mas não adianta, sempre que dubla fica um horror. Já são 23h, preciso dormir, deixa o seriado pra outra hora, porque nem sei que capítulo é esse. Mas acho que é antigo, já passou no Brasil, justamente porque lá é legendado apenas, dublar demora mais. Acho que o cara ainda ta preso e os Applewhites acabaram de chegar, pelo que entendi. Nem fiquei vendo direto, cansado...
Total pedalado hoje 133,63km em 7h13:57, foi uma boa jornada e o hotel foi bem confortável pra repor as energias, apesar do gasto financeiro maior.



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