Vigésimo quarto dia (15/08): rumo ao incerto
Depois do telefonema de ontem, da noite mal dormida e da incerteza até onde ir pra que eu consiga ver os principais castelos do Loire, acordei numa manhã fria, com névoa por tudo e a barraca um pouco molhada. Isso já está virando uma constante. Mas enfim, esperei mais um pouco, até umas 8h, mas nada de aparecer o sol. Ainda estava aquele tempo fechado e frio. Pensei: não posso ficar aqui o dia todo, tenho um longo caminho a percorrer e nem sei se tem muita subida, como que serão as coisas. Passei um papel pra tirar um pouco da água de cima da barraca e guardei assim mesmo. Guardei o resto das coisas, amarrei tudo na bike e segui no frio de Fougères às 9h40. Via vários ciclistas que passavam por mim ou vinham na outra direção, todos cumprimentavam, era incrível isso, mais que o frio que fazia. Até que um veio e ficou ao meu lado. Começou a conversar, achando que eu era polonês, disse que tem um visinho que é polonês, depois disse que eu tinha bastante peso pra levar e assim foi indo a conversa. Num dado momento, numa subida de 2km, com o sol já aparecendo, ficou quente, parei pra tirar o casaco. Continuamos e ele sempre ao meu lado com a bike de estrada, sem fazer esforço e eu me matando nas subidas. Ficamos lado a lado por cerca de uma hora, até que resolvi parar pra descansar e comprar umas coisas pra comer num mercadinho que vi aberto em Larchamp.
Comprei um saquinho de pão de leite, vinham 10 pequenos, comprei um queijo de cabra muito bom, 1l de suco de abacaxi e um pacote daquelas bolachas power, gastei 5,39€. Tomei o suco e preparei os sanduíches.
Eu estava pedalando só pelas estradinhas que passam pelas fazendas, mas era meio ruim porque não tinha muita informação pra saber se eu estava certo. Segui até Ernée, tudo fechado, feriado. Só numa rua que tinha movimento, o pessoal tava fazendo uma festa. Vi uma oficina da Citroën aberta e pedi um pouco de óleo para a corrente. Acho que o óleo que ele colocou não era muito recomendável, mas era o que eu tinha, e de graça, feriado, foi perfeito. A bike já estava fazendo uns barulhos estranhos na corrente, porque pegou chuva e ficou no sereno, perdeu todo o óleo que tinha, sem contar que desde que tirei da loja, só andei. De qualquer forma ela ficou perfeita. Sem mais barulhos, estava rodando solta de novo, muito bom isso. Apesar da volta que dei, valeu a pena.
Dessa cidade segui mais 24km pela N12 até Mayenne, que dá nome a região. Parei mais um pouco, comi mais um pãozinho com queijo de cabra e continuei. Parei em Gracay e em Bais, onde enchi as garrafas de água no cemitério. Uma senhora vinha vindo e perguntei onde era a torneira, ela me indicou e perguntou algumas coisas, entre elas, se eu era francês. Devo estar falando bem mesmo.
No mais foi só pedal, estrada e pensar onde exatamente eu iria parar. Vi no mapa e nas placas que uma boa cidade seria Sillé-le-Guillaume, fica uns 35km de Le Mans, isso faz com que eu possa dar umas voltar e almoçar lá e ainda seguir mais uns 70km em direção a Saumur. Eu tinha pensando em ir um pouco mais adiante, até Conlie, mas o tempo começou a fechar, até caiu uns pingos, achei melhor parar por aqui mesmo, já eram 17h, já tinha feito 101,26km em 5h31, o que dá uma boa média, apesar das várias subidas que peguei, eram quilométricas. Por isso lembre-se, depois de toda descida tem sempre uma subida e vice-versa e, que dependendo o ponto de vista, uma subida pode ser uma descida. Isso é uma lição de vida.
Armei a barraca no camping de 6€, mas parecia bem ajeitado. Pingaram umas gotas, mas não chegou a chover, ainda bem. Comi uns biscoitos, tomei banho e aí o sol voltou até forte novamente. Bom pra secar as coisas. Estava com um pouco de fome, porque passei o dia com o que comprei no mercadinho e o resto de amendoim, ainda bem, porque no mais estava tudo fechado. Amanhã preciso comprar mais coisas e pegar dinheiro porque estou com vinte e poucos euros apenas. Depois zero. Fui, então, comer no bar do camping mesmo. Pedi um cheesburger com fritas, 5€. As fritas eram boas e tinha bastante, já o burger, era horrível. Feito no microondas, com a parte de baixo do pão junto, aí ficou seco, duro, uma torrada e o hambúrguer meio cru no meio, mas com fome, comi assim mesmo. Devia ter comido Nuggets, acho que seria melhor. Porque agora vou ficar pensando num cheesburguer melhor e vou ter que comer em algum lugar. Que nem a história do macarrão. Daqui a pouco vou querer comer feijão, mas ainda bem que já está no final e logo volto pra casa, comidinha da mamis e tudo mais.
Mas mesmo assim foi melhor do que tentar procurar algo aberto na cidade, que além de pequena, era feriado. Só ia pedalar mais, subida ainda.
E enquanto eu comia, deixei a câmera carregando a bateria de menor capacidade, porque a outra ainda está com uma boa carga, e assim creio que não terei problemas, só preciso ver onde irei recarregar o Pocket, acho que no banheiro, sempre tem uma tomada, pra quem quer usar aparelho de barbear. O problema é que terei que ficar lá esperando, mas tudo bem, qualquer coisa eu aproveito e uso lá mesmo pra escrever o diário.
No camping de Beauvoir tinha um menino ouvindo música num iPod na pia do banheiro, e aqui é melhor, porque são todas separadas, o problema é que tem que ficar apertando o botão da luz, se não apaga, parece uma coisa Lost, mas tranqüilo.
Pior que isso só o chuveiro mesmo, que não tinha o funcionamento como os outros, de apertar e sair água por um tempo. Aqui tem que puxar uma corrente. Enquanto puxa, sai água, pára de puxar, pára de sair água. Um maneta não toma banho sozinho. Sem contar que era duro o negócio, tinha que puxar com força mesmo. Foi um belo exercício.
Camping bizarro e comida ruim, mas foi o que encontrei. E como sempre digo, é apenas um dia. Então não tem problema, amanhã já estarei em outro lugar, e tudo vai ser diferente, talvez não melhor, mas diferente.
O bom é que aqui não é muito freqüentado, porque não é ponto turístico famoso, então tem só famílias mesmo. O problema são as crianças que gritam e ficam acordadas até tarde e levantam cedo com energia total. Acho que tem muitos alemães ou de outro país estranho, porque eles falam uma língua estranha.
Apesar dos pesares, hoje consegui um lugar bom, perto do banheiro, não preciso andar muito até chegar. Já tenho uns esquemas de levar a roupa numa sacola plástica pra não molhar no chuveiro, porque mesmo tendo proteção, sempre molha tudo. O que ainda falta aqui é um lugar pra poder plugar o Pocket, sentar, escrever e recarregar a bateria, como tem nos albergues, que pode ser feito no quarto mesmo ou no bar. Porque o bar do homem aqui é a cozinha e as mesas são todas fora. Internet então nem pensar. Outra coisa é que normalmente os campings ficam a uns 2 ou 3km do centro, pra quem está a pé é complicado, mas de bike ou carro é bem tranqüilo.
Meu único problema agora mesmo é quanto ao dinheiro. Até achei um caixa Visa hoje, mas estava fora de serviço, como no Mont Saint Michel. Espero encontrar amanhã, se não nem sei o que vou fazer. Usar cartão de crédito?! Mas não é todo lugar que aceita. Acho que em Le Mans ou mesmo na cidade aqui que estou irei conseguir sacar. No mais, faltam poucos dias e os castelos estão próximos. De acordo com os meus cálculos, se tudo ocorrer bem, poderei passar pela Bélgica, se não, direto a Amsterdã mesmo. Bom, agora vou esperar carregar um pouco o Pocket e ir dormir porque já passam das 21h, acho que as 22h é o horário bom pra ir dormir. Acordo cedo e bem descansado, com várias horas de sono. O saco de dormir até é bom. E esse contato com a natureza é fabuloso. Colocar o pé na grama, deitar no relevo do chão, sentindo a grama e as imperfeições do solo. Acordar e ver a grama, as árvores, é tudo muito lindo e mais barato.
Esse foi o meu dia, pedalei, pedalei e cheguei aqui, no meio do nada. Mas é bom pra poder me desligar um pouco das coisas, ficar em contato com a natureza, cheguei até a passar por várias florestas, uma tinha o Col (cume) de 258m, foi uma bela subida, de 2,5km, mas bem compensadora.
Comprei um saquinho de pão de leite, vinham 10 pequenos, comprei um queijo de cabra muito bom, 1l de suco de abacaxi e um pacote daquelas bolachas power, gastei 5,39€. Tomei o suco e preparei os sanduíches.
Eu estava pedalando só pelas estradinhas que passam pelas fazendas, mas era meio ruim porque não tinha muita informação pra saber se eu estava certo. Segui até Ernée, tudo fechado, feriado. Só numa rua que tinha movimento, o pessoal tava fazendo uma festa. Vi uma oficina da Citroën aberta e pedi um pouco de óleo para a corrente. Acho que o óleo que ele colocou não era muito recomendável, mas era o que eu tinha, e de graça, feriado, foi perfeito. A bike já estava fazendo uns barulhos estranhos na corrente, porque pegou chuva e ficou no sereno, perdeu todo o óleo que tinha, sem contar que desde que tirei da loja, só andei. De qualquer forma ela ficou perfeita. Sem mais barulhos, estava rodando solta de novo, muito bom isso. Apesar da volta que dei, valeu a pena.
Dessa cidade segui mais 24km pela N12 até Mayenne, que dá nome a região. Parei mais um pouco, comi mais um pãozinho com queijo de cabra e continuei. Parei em Gracay e em Bais, onde enchi as garrafas de água no cemitério. Uma senhora vinha vindo e perguntei onde era a torneira, ela me indicou e perguntou algumas coisas, entre elas, se eu era francês. Devo estar falando bem mesmo.
No mais foi só pedal, estrada e pensar onde exatamente eu iria parar. Vi no mapa e nas placas que uma boa cidade seria Sillé-le-Guillaume, fica uns 35km de Le Mans, isso faz com que eu possa dar umas voltar e almoçar lá e ainda seguir mais uns 70km em direção a Saumur. Eu tinha pensando em ir um pouco mais adiante, até Conlie, mas o tempo começou a fechar, até caiu uns pingos, achei melhor parar por aqui mesmo, já eram 17h, já tinha feito 101,26km em 5h31, o que dá uma boa média, apesar das várias subidas que peguei, eram quilométricas. Por isso lembre-se, depois de toda descida tem sempre uma subida e vice-versa e, que dependendo o ponto de vista, uma subida pode ser uma descida. Isso é uma lição de vida.
Armei a barraca no camping de 6€, mas parecia bem ajeitado. Pingaram umas gotas, mas não chegou a chover, ainda bem. Comi uns biscoitos, tomei banho e aí o sol voltou até forte novamente. Bom pra secar as coisas. Estava com um pouco de fome, porque passei o dia com o que comprei no mercadinho e o resto de amendoim, ainda bem, porque no mais estava tudo fechado. Amanhã preciso comprar mais coisas e pegar dinheiro porque estou com vinte e poucos euros apenas. Depois zero. Fui, então, comer no bar do camping mesmo. Pedi um cheesburger com fritas, 5€. As fritas eram boas e tinha bastante, já o burger, era horrível. Feito no microondas, com a parte de baixo do pão junto, aí ficou seco, duro, uma torrada e o hambúrguer meio cru no meio, mas com fome, comi assim mesmo. Devia ter comido Nuggets, acho que seria melhor. Porque agora vou ficar pensando num cheesburguer melhor e vou ter que comer em algum lugar. Que nem a história do macarrão. Daqui a pouco vou querer comer feijão, mas ainda bem que já está no final e logo volto pra casa, comidinha da mamis e tudo mais.
Mas mesmo assim foi melhor do que tentar procurar algo aberto na cidade, que além de pequena, era feriado. Só ia pedalar mais, subida ainda.
E enquanto eu comia, deixei a câmera carregando a bateria de menor capacidade, porque a outra ainda está com uma boa carga, e assim creio que não terei problemas, só preciso ver onde irei recarregar o Pocket, acho que no banheiro, sempre tem uma tomada, pra quem quer usar aparelho de barbear. O problema é que terei que ficar lá esperando, mas tudo bem, qualquer coisa eu aproveito e uso lá mesmo pra escrever o diário.
No camping de Beauvoir tinha um menino ouvindo música num iPod na pia do banheiro, e aqui é melhor, porque são todas separadas, o problema é que tem que ficar apertando o botão da luz, se não apaga, parece uma coisa Lost, mas tranqüilo.
Pior que isso só o chuveiro mesmo, que não tinha o funcionamento como os outros, de apertar e sair água por um tempo. Aqui tem que puxar uma corrente. Enquanto puxa, sai água, pára de puxar, pára de sair água. Um maneta não toma banho sozinho. Sem contar que era duro o negócio, tinha que puxar com força mesmo. Foi um belo exercício.
Camping bizarro e comida ruim, mas foi o que encontrei. E como sempre digo, é apenas um dia. Então não tem problema, amanhã já estarei em outro lugar, e tudo vai ser diferente, talvez não melhor, mas diferente.
O bom é que aqui não é muito freqüentado, porque não é ponto turístico famoso, então tem só famílias mesmo. O problema são as crianças que gritam e ficam acordadas até tarde e levantam cedo com energia total. Acho que tem muitos alemães ou de outro país estranho, porque eles falam uma língua estranha.
Apesar dos pesares, hoje consegui um lugar bom, perto do banheiro, não preciso andar muito até chegar. Já tenho uns esquemas de levar a roupa numa sacola plástica pra não molhar no chuveiro, porque mesmo tendo proteção, sempre molha tudo. O que ainda falta aqui é um lugar pra poder plugar o Pocket, sentar, escrever e recarregar a bateria, como tem nos albergues, que pode ser feito no quarto mesmo ou no bar. Porque o bar do homem aqui é a cozinha e as mesas são todas fora. Internet então nem pensar. Outra coisa é que normalmente os campings ficam a uns 2 ou 3km do centro, pra quem está a pé é complicado, mas de bike ou carro é bem tranqüilo.
Meu único problema agora mesmo é quanto ao dinheiro. Até achei um caixa Visa hoje, mas estava fora de serviço, como no Mont Saint Michel. Espero encontrar amanhã, se não nem sei o que vou fazer. Usar cartão de crédito?! Mas não é todo lugar que aceita. Acho que em Le Mans ou mesmo na cidade aqui que estou irei conseguir sacar. No mais, faltam poucos dias e os castelos estão próximos. De acordo com os meus cálculos, se tudo ocorrer bem, poderei passar pela Bélgica, se não, direto a Amsterdã mesmo. Bom, agora vou esperar carregar um pouco o Pocket e ir dormir porque já passam das 21h, acho que as 22h é o horário bom pra ir dormir. Acordo cedo e bem descansado, com várias horas de sono. O saco de dormir até é bom. E esse contato com a natureza é fabuloso. Colocar o pé na grama, deitar no relevo do chão, sentindo a grama e as imperfeições do solo. Acordar e ver a grama, as árvores, é tudo muito lindo e mais barato.
Esse foi o meu dia, pedalei, pedalei e cheguei aqui, no meio do nada. Mas é bom pra poder me desligar um pouco das coisas, ficar em contato com a natureza, cheguei até a passar por várias florestas, uma tinha o Col (cume) de 258m, foi uma bela subida, de 2,5km, mas bem compensadora.


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