Relatos de viagens ciclísticas.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Vigésimo primeiro dia (12/08): Saí de Rennes

Esse era o caminho do canal que andei por um bom trecho até próximo a St. Malo
Dessa vez não coloquei rumo a lugar algum, porque realmente eu não tinha ao certo. Sabia que em St. Malo estava tudo lotado, teria que ficar em alguma cidade próxima, só não sabia em qual. Mas com a barraca e o saco de dormir fica tudo mais fácil, as possibilidades aumentam consideravelmente.
Acordei relativamente cedo, lá pelas 7h, mas até tomar café e arrumar as coisas, agora mais coisas para serem arrumadas, demorei mais que o normal e comecei a pegar estrada só as 9h. Tinha que saber o rumo certo a pegar de bike, porque no mapa havia somente a rodovia nacional e uma outra que acompanhava, então fui confirmar se era essa mesma e como faria pra seguir esse caminho. Não tive problemas, haviam várias placas pelo caminho indicando St. Malo e uma bicicleta ao lado. Era uma rota para bicicletas. Mas uma coisa não saía da minha cabeça, o que a moça me disse sobre o caminho ao longo do canal. Achei que poderia ser interessante, mesmo sendo mais longo o trajeto, mas sei lá, acabei indo pelo asfalto mesmo.
Parei numa cidadezinha, daquelas que não tem nada mais do que a rua principal, que é a própria rodovia secundária, a igreja, a padaria, o mercadinho, a tabacaria e jornais, e claro, a pracinha. Comprei um pão e a especialidade local feita artesanalmente, o pâté. Escolhi o Campagne, e realmente era muito bom. Pra eu gostar de pâté é porque é bom. E ele me sustentou durante um bom tempo de pedalada, de fato é saudável e energético. Gastei no almoço com essas coisas 2,68€.
Continuei seguindo as placas que mostravam o caminho pra chegar a St. Malo de bicicleta saindo de Rennes. Num dado momento perdi essa indicação e atravessei o tal canal. Perguntei pra um casal de ciclistas que estavam parados ali se eu chegaria seguindo esse canal por essa direção, eles confirmaram e lá fui eu.
Com isso o meu dia foi misto, teve de tudo. A começar pelo trajeto em rodovia, que é só asfalto e carro, de vez enquanto uma cidadezinha ou uma fazenda para ver. Quando fiz o trajeto seguindo o canal, a pedalada rendeu mais. Além de não ter subidas e descidas, não tinha vento. Então eu fazia média de 25km/h sem esforço mesmo com o chão de terra batida. Dava pra parar mais, descansar mais e curtir mais. Sombras e bancos ao longo do trajeto.
Passei por Dinan, filmei um pouco o castelo no alto do morro, filmei a ponte e a árvore caída no meio do caminho. Foi meio complicado passar por ela estando cheio de bagagens. E ainda nesse trajeto encontrei várias pessoas andando a pé, de bicicleta, de barco, caiaque, remo, tinha de tudo. Vários pescadores ao longo do trajeto também.
O problema agora era comida, tinha acabado, mas eu já estava chegando, apesar de ter dado voltas e voltas desviando as rodovias principais. Pensei em comprar na cidade onde eu fosse acampar, porque agora estou munido de barraca. Numa cidade antes de St. Malo resolvi ir até o centro pra comprar alguma coisa, foi quando encontrei um casal de ciclo turistas, vi eles pararem e perguntei se estavam perdidos também. Eles disseram que os campings em St. Malo estão todos lotados, nas cidades bem próximas é muito caro, coisa de 30, 40€ pro casal. Peguei o meu guia de campings da Bretagna e começamos a ver onde teria o mais próximo, foi em St. Suliac. Fica a uns 2 ou 3 km de onde estávamos. Seguimos até lá, porque já eram umas 18h e tínhamos que achar algum lugar aberto, normalmente os campings recebem as pessoas até as 19h. Deu tempo e tinha lugar para os 3. E como eram mais pessoas, saiu 5€ pra cada. Wow! Muita economia. Pelo menos comecei bem, além de pagar pouco, ficar perto de St. Malo, ainda conheci esse casal muito simpático.
Eles ficaram realmente felizes por eu ter dado a dica do camping, porque quando saímos pra jantar, eles pagaram um chopp pra mim e depois na hora de pagar a pizza ela nem quis os 50 centavos. Aproveitei e comprei umas coisas no mercadinho que ainda estava aberto, porque pelo jeito vou passar por cidades que não tem esse tipo de coisa, só restaurantes e coisas pra turistas.
Pegamos a pizza e fomos comer no camping. Cada um com sua faca, sentamos no chão e comemos acompanhado de vinho que eles compraram. Bebi um pouco também. Eles me adotaram por um dia, porque além disso tudo eles me ajudaram a montar a barraca, porque eu não sabia nem por onde começar. Foi perfeito, agora já sei como montar, então fica mais fácil. Até tentei ler as instruções, mas além de estarem em francês, claro, os desenhos e ilustrações eram horríveis, nem um pouco intuitivas.
Barraca arrumada, pizza comida, tudo certo pra ir dormir. Hoje fui um pouco mais tarde que o comum, já passavam das 23h, mas foi um dia e tanto, acho que hoje senti o verdadeiro espírito do ciclo turismo.
Primeiro dia da barraca armada
De Rennes a essa cidade que era um charme, fiz um zigue-zague bem grande, tanto que rodei 102,58km em 6h46 de pedalada, porque o vento contra realmente não ajuda em nada. Mas espero que o vento continue nessa direção pra me ajudar na descida até o Vale do Loire.
E quanto aos gastos, foram bem poucos também, os 2,86€ do almoço, 5€ do camping, 5€ da pizza e 8,05€ das compras, total de 20,91€, o que me deixa um pouco abaixo do esperado, sem cair a qualidade de algumas coisas como comida, banho e lugar aquecido pra dormir.