O último dia na Europa, rumo pra casa...
Mais uma noite acampando na borda do Loire, uma maravilha, uma vista magnífica quando vou dormir e quando levanto logo cedo, mesmo com o frio e, dessa vez, sem chuva. Perfeito. Levantei 6h50, mais ou menos a mesma hora de sempre, com o diferencial que dessa vez eu acordei levantei mesmo e comecei a arrumar as coisas, comi e tudo mais, sem essa de ficar mais 10 minutinhos. E como não choveu, tava tudo bem sequinho, só embaixo da barraca mesmo que tava meio molhado, mas perto dos outros dias isso não era nada. Consegui colocar tudo dentro da sacola, meio apertado, mas foi, porque ontem nem tinha dado certo, ficou coisa de fora, muita água e capim junto. E o dia começou bem e continuou bom, sem chuvas ou qualquer ameaça de chuva pela frente. Pude sair tranquilamente, depois de ir ao banheiro, porque isso é uma coisa clássica. Pedalei com calma até o centro, dei mais umas voltinhas por lá, tirei mais umas fotos, agora com o sol batendo de outro lado, essa é a vantagem de pegar o início e o fim do dia na cidade, pode-se observar as coisas em todas as horas. Até no camping mesmo tirei mais umas fotos, já que o cartão tava livre mesmo, aproveitar pra tirar foto. E acho que ela ficou bem legal, porque não importa só a quantidade, mas a qualidade da foto. Somando-se ainda o tanto de filmagem, tenho bastante material pra fazer o documentário, site, livro ou o que eu quiser fazer.
No centro aproveitei e fui em busca de alguma padaria pra comprar alguma coisa e levar na viagem, porque imagino que em Paris vai ser pauleira, pedalae e ainda desmontar a bike e tudo mais, nem vai dar tempo pra mais nada. É bom deixar garantido. E foi melhor mesmo, comprei um sandudiche e 4 pain au chocolat, porque tinha uma promoção, levava 4 pain au choco por 1,70€, gastei no total 4,40€. E aí começou uma coisa interessante que iria se repetir mais à frente, na hora que fui pagar, não achava um lugar pra deixar a bike e pegar as moedas no bolso, ainda com a luva, então uma mulher se dispos a segurar, achei estranho, mas sei lá, vai saber. Só que nessa vida nada é de graça mesmo, depois ela pediu dinheiro pra comida. Coloquei a mão no bolso e saiu uma moeda de 0,02€, fazer o quê?! Sorteio é assim mesmo, se tivesse saído uma de 0,5€, mas foi só isso mesmo, ela fez cara feia, mas acho que tá bom. Depois fiquei pensando que seria melhor ter dado um pain au chocolat pra ela.
Dei mais uns rolé pelo centro, passei numas ruazinhas estreitas e obscuras, depois fiquei na praça Martroi, junto a estátua da heroína virginal francesa, Joana D’Arc. Aproveitei pra anotar algumas coisas nos meus papeizinhos, mas o cheiro do esgoto tava meio complicado, acho que passa bem embaixo ali, e tem uma grade, então acho que subia o cheiro, mas é assim mesmo. Pelo menos a estátua dela ao nascer do sol era bem linda, ficava de frente pra ele, a melhor hora pra tirar foto, ainda mais que o dia estava praticamente sem nuvens, uma beleza mesmo. Um bom dia pra guardar de lembrança do Loire.
Já passam das 9h30, em uma hora estarei indo pra Paris onde troco de estação e sigo direto até Amsterdã. Uma pena não parar na Bélgica, mas preferi ficar mais tempo mesmo na França dessa vez. Em outra oportunidade eu faço Bélgica e Holanda, ou apenas um ou outro. Ver as coisas com mais calma e mais detalhes, pra ir saboreando melhor, não só pedalar que nem louco.
O trem chegou, perguntei qual era o vagão pra subir com a bike, ele me indicou e só pediu que eu aguardasse um pouco até que o funcionário desgrudasse o trem do vagão que seria o último. E na hora de subir a bike, com todas as bagagens, outro funcionário da SNCF até ajudou com um belo empurrão, porque subir aquela escada com a bike cheia de coisas não é nada fácil. E ela é larga, às vezes engata na porta, complicado. Dessa vez foi bem tranqüilo. Deixei ela inteira, com todas as bagagens mesmo, apesar de ter anotado que era preciso ensacar a bike. Mas aí não daria tempo pra eu ir de uma estação a outra em Paris, como ninguém reclamou, nem falou nada, até ajudaram a subir e ajeitar a bike a ficar mais firme pra não cair. Totalmente diferente do trem que peguei para Suíça, no qual paguei até multa por ter levado a bicicleta sem reserva, isso que eu avisei que levaria a bicicleta.
Os trens realmente são bem pontuais, cheguei na hora exata em Paris, mas até descer e pegar o rumo vai um certo tempinho. E a viagem foi bem rápida e tranqüila, é muito perto, acho que menos de 150km. A paisagem é aquela de sempre, verde varrido, alguns moinhos de vento modernos que geram energia e dentro do vagão algumas pessoas que só ficam olhando pra fora, outras lendo, uns jovens também lendo, mas era revista Bravo, de fofocas, como as Capricho da vida. E todos eles com seus celulares modernos, cheios de recursos e ficam usando na viagem toda, inclusive pra telefonar, porque os celulares funcionam em praticamente todo o território, esses dias vi uma mulher falando ao celular numa fazenda perdida no meio do caminho, muito bizarro isso. Além do celular, chiclets e máquinas fotográficas digitais, claro, porque isso é um item essencial hoje em dia. Todo mundo tem uma nem que seja mais ou menos pra ficar tirando foto e lotando o PC de fotos. Eu fiquei sentado de costas (pra observar a bike), naqueles bancos duplos, ou seja, fiquei de frente pra um cara que devia ser da Índia ou de algum país daqueles lados de lá, ele tinha daqueles cubos coloridos que vai virando até encaixar todas as cores. E ele era bem rápido nisso, não sei se por prática ou se ele fazia sempre igual, treinou um jeito de embaralhar e decorou os passos. Porque às vezes ele nem olhava pro cubo e conseguia fazer, muito bizarro isso, mas vai saber. De repente ele tem um dom pra isso.
Cheguei na hora em Paris e fui da Gare D'Austerlitz até a Gare du Nord. O trânsito estava horrível, mas como eu estava de bike, tanto faz, porque vou pela pista exclusiva para ciclista. Só fiquei com medo de que chovesse, mas apesar de algumas nuvens, nublado, não houve nenhuma precipitação. E pra variar, a Europa toda em reforma. Verão, eles aproveitam, a Gare estava um canteiro de obras, mas foi tranqüilo entrar lá. Desmontei a bike, guardei e logo vi em qual via o trem iria chegar. Nem peguei carrinho, foi meu erro. Porque pra variar, era o penúltimo vagão, e eram 2 trens grudados, tive que andar muito levando a bike e as malas, nem sei como consegui. Eu não sabia, vi o primeiro vagão era o 22, achei que fosse diminuindo, e como o trem estava meio em curva, nem vi até onde ele ia, fui andando e o número foi aumentando, achei estranho, perguntei se era esse trem mesmo, ele confirmou e disse que era
mais pra frente e lá fui eu carregando todo esse peso e muito ruim de carregar por sinal. Meu braço ficou meio duro, meio sem resposta depois, mas com o tempo, durante a viagem recuperei o movimento natural. Só a mão direita que ainda tá meio estranha devido as marchas que tenho que trocar a toca hora, mas talvez seja a posição muito alta dela, que força meu dedo. Chegando em casa, na hora de montar, vejo isso direitinho.
Só sei que deu na estica, subi no trem e as portas fecharam e ele saiu andando. Mais um pouco eu perderia, aí estaria fodido. E um fato a ser ressaltado é que enquanto eu desmontava a bike veio uma pedinte insistente e ficou lá querendo alguma moeda, e eu querendo desmontar tudo e ela me enchendo o saco. Depois ainda vieram mais duas. Imagine se eu der uma moedinha pra cada uma delas, daqui a pouco eu que estou pedindo.
Pouco depois eu fui ao banheiro e bateram na porta, era o cara do ticket, talvez ele achou que eu fosse penetra. Peguei a passagem e mostrei pra ele. Depois comi o sanduíche e os pain au chocolat, porque já tava com fome a essa hora, depois de ter feito um certo exercício.
Como eu tinha muita viagem pela frente e a paisagem passa rápido, nem dá pra ver nada direito, às vezes nem tem o que ver mesmo e mais uma vez eu estava de costas, resolvi fazer um balanço de quantos quilômetros eu já tinha feito de bike. Resultou em 1866,82km, mas ainda faltam uns dados e preciso conferir os outros. Ou seja, foi mais ou menos o que eu havia pensando, 2000km.
Chegando na Bélgica vejo chuva. Quando o trem parou em Bruxelas às 2h20 era chuva mesmo. Ainda bem que nem passei por lá, mas é bom saber que quando eu for tenho que ir mais preparado para o frio e chuva. As cidades são muito próximas, em poucas horas estava em
outro país completamente diferente, isso é muito interessante aqui na Europa. Basta andar um pouco pra mudar muita coisa. Mesmo assim ainda tinha muito trilho pela frente, somando-se as paradas que ele vai fazer, demora um pouco ainda. O que me resta é esperar, olhar as pessoas, olhar o verde-varrido e descansar um pouco. Fui ao banheiro de novo, porque é sempre bom descarregar as coisas que não nos interessam mais e aliviar o peso.
É até interessante pensar que daqui a pouco estarei num país totalmente diferente e dentro de mais algumas horas estarei no Brasil, em casa. Depois desses 30 dias longe, sozinho, me virando como dava, uma coisa de louco isso, toda essa experiência, fotos, fatos, vídeos. Daqui pra frente não sei se irei entrar em contato com alguém antes de chegar em Sampa, acho que só lá mesmo. Mas pelo menos deixei todos avisados que estava tudo certo e eu ia chegar em casa no dia previsto mesmo, com todas as coisas. Não vejo a hora de poder ligar pro meu amore e dizer: cheguei! Aí vamos matar um pouco a saudade que já é muita, porque faz um mês e meio que estamos longe, isso é muito tempo pra nós, mas na medida do possível vamos acostumando.
Até Amsterdã passei por muitos trechos que chovia muito, comecei a ficar preocupado com relação ao camping e mesmo como andar pela cidade com chuva, não é uma coisa muito agradável quando não se está preparado pra isso. Para minha alegria o trem chegou pontualmente e o tempo estava bom, apesar de umas nuvens escuras por perto. Desci todas as bagagens e a bike. Dei início ao processo de montagem, levei uns 40 minutos e a roda da frente não ficou muito boa, ficou raspando novamente no freio, não consegui ajeitar e também mais algumas poucas horas estaria desmontando-a novamente pra transportar no avião. Então fui assim mesmo.
Aí começaram os problemas. Fui procurar informação na Gare, mas não encontrava. Em frente, do outro lado da rua, achei uma placa de informações turísticas. Cheguei lá e estava fechado, mas tinha uma máquina que vendia mapa da cidade a 2€, resolvi comprar, porque assim ficaria bem mais fácil pra mim. Problema dois: no mapa não constava o endereço que eu tinha do camping. Não tinha a menor idéia de onde ele ficava. O mapa mostrava bem o centro e pontos turísticos, mas como o camping ficava mais retirado, não contava no mapa. Depois descobri que era perto do aeroporto. Problema três: chuva. Começou a chover. Chover forte. Voltei pra Gare e fui procurar novamente por informações. Dessa vez rodei, rodei e encontrei. E realmente o mapa tem que comprar, eles não fornecem como nos Office de Turisme da França. Mas também esse não era tão caro assim. E quando eu voltar já terei o mapa. Pedi pra moça informações sobre albergue e camping. Pra reservar nos albergue que ainda tivesse vaga, porque a maioria estava lotado já, tinha que pagar 3,5€ e depois mais a diária. E nos campings tinha que ir vendo. Pensei em ir no perto do aeroporto, mas com essa chuva ia ser uma nhaca pra montar e desmontar logo cedo.
Ainda esperava a chuva passar. Olhei no mapa com os campings da cidade que peguei no balcão de informações qual a direção que deveria pegar. Mas pelo avanço das horas, distância, complicações de montagem e desmontagem na chuva, resolvi então fazer uma coisa mais prática, porém não muito recomendável de se fazer sempre: ir direto ao aeroporto e esperar.
Saí do centro, da estação, mais ou menos às 20h, fui indo tranquilamente, sem pressa, pra ver um pouco da cidade, até tirar umas fotos só pra dizer que passei por lá e registrar o tanto de bicicletas que tem. Muito legal isso, nunca vi tanta bike assim, parece que só tem bicicleta na cidade. Me perdi um pouco também naquele monte de canais, mas depois que peguei o rumo certo não tive mais problemas, eu acho que estava olhando o mapa ao contrário do que era, aí não tinha como chegar mesmo. Já estava escurecendo por causa das horas e do clima, então nem deu pra tirar mais fotos depois de uma certa hora. Foi só pedalar pra chegar ao aeroporto mesmo. Mas antes coloquei uns plásticos na bike porque parecia que vinha mais chuva pela frente, e é sempre bom estar garantido. Um pouco mais pra frente um ciclista veio falando comigo em holandês, não entendi nada, depois ele falou em inglês, aí deu pra manter uma comunicação básica. Ele queria saber se eu tava vindo ou indo, de onde vinha, essas coisas. Aproveitei e perguntei se pra chegar no aeroporto era por essa direção mesmo, ele confirmou e eu fui indo. E também tinha placa que indicava a direção para quem estivesse indo de bicicleta. Um pouco mais pra frente começou uma garoa fina, aumentou um pouco, mas não passou disso. Estava meio constante e molhou um pouco. Mas ia secar rápido. Peguei a rua Amistel inteira, vários bares que vendem a cerveja com esse nome. Seguindo o canal fui indo, indo e indo. Era bem longe mesmo, porque dava muita volta, tinha muita curva, mas eu tinha tempo e era de graça. E assim foi uma forma de pedalar em Amsterdã. Eu andei mais do que o esperado. Já tinha feito uns 20km quando apareceu uma placa indicando mais 13km até o aeroporto. Mas era muito tranqüilo de pedalar por lá, sem subidas ou descidas, sem vento forte, uma maravilha, por isso tem tanta bike no país. Num ponto mais próximo ao aeroporto tinha 3 indicações, não sabia qual seguir, fui numa vi que não ia dar em nada. Voltei na outra, mas acabei chegando no hangar de manutenção e escritórios da KLM. Só restou a última alternativa que deu certo, claro. E era bem longe ainda, uns 6km. Mas também, só pra contornar o estacionamento que é gigante, foram uns 4km. Sei que ao todo, no dia, fiz 56,46km em 4h11, deu bastante tempo porque a maioria eu ia empurrando e depois andando devagar pra não respingar a água acumulada no chão por causa da chuva. Cheguei ao aeroporto só às 22h30. Demorei mais do que imaginei. Comecei achar bom ter ido direto, assim poderia fazer tudo com calma e tranqüilidade, evitar problemas e atrasos. Comecei a desmontar a bike e organizar as bagagens, troquei algumas coisas de bolsas, deixei o essencial na mão e o resto despachei. E a bike eu encaminhei no setor de cargas com medidas especiais, mas ninguém me cobrou nada, não sei se pago na hora que chegar não entendi, só sei que é melhor assim.
Tive um monte triste no aeroporto. Fiquei olhando minhas garrafas de água que me acompanharam por quase todos os 30 dias, me hidratando durante o percurso. Pensei em leva-las pra casa, de lembrança, mas não tinha onde levar. Elas ocupam muito espaço. Não tive outra alternativa se não jogá-las no lixo. Foi uma cena triste, mas necessária.
Terminei de arrumar tudo era quase meia noite, se for ver o tempo que demorei pra chegar até a hora de estar com tudo pronto pra embarcar não sei se daria certo se eu tivesse feito como o planejado, de ficar num albergue, acordar umas 7h, tomar café e sair. Capaz de não dar tempo. E se chovesse ou se acontecesse algum imprevisto, aí sim eu estaria ferrado. O único inconveniente foi não ter tomado banho, mas de qualquer forma ficaria um bom tempo sem banho, e iria pedalar e desmontar e organizar as coisas mesmo, no fim nem mudou tanto assim.
E quanto a ver a cidade, já era noite mesmo, e de manhã não ia dar pra ver muita coisa, não tinha o que fazer mesmo além de esperar. Deu pra ter uma boa noção da cidade e acho que ter ido ao aeroporto direto foi o melhor mesmo nesse caso. Se eu tivesse só uma mochila, poderia ter optado por ir de metro, ônibus, logo cedo, mas pedalando tudo fica mais complicado. Como ficar em camping de bike, demora muito pra se organizar e eu ainda iria pedalando, talvez me perderia, ia ser um sufoco, tudo na correria, poderia dar algum problema e até perder o vôo.
Comecei a sessão cafeína. Comprei uma garrafa 0,5cl de coca e um croissant, paguei 5,45€ e o croissant era horrível. Só tinha preço. Tem até o Burguer King, um pouco mais caro que na estação do centro. Mas isso de novo não. E no avião eu como mais. Apesar de ainda ter bastante tempo pela frente.
Já são quase uma hora da manhã, fui escovar os dentes, porque fiquei com a necessaire juntamente com os copos da Coca e os eletrônicos na bolsa de mão. Que além de ser o principal, é o mais frágil. Os dentes pelo menos eu limpei, porque tava precisando, só o banho e a barba mesmo que não teve jeito.
E lá se foram os 30 dias, agora faltam umas poucas horas apenas para o embarque, depois tem mais uma pequena maratona e casa, comida e banho.
Como eu tinha tempo e não tava afim de dormir, resolvi ver se tinha conexão wifi no aeroporto, assim, de graça, porque ter eu sabia que teria. E de graça lá só o ar pra respirar mesmo, e os banheiros, ainda bem. Pude ir várias vezes, pra escovar os dentes e tudo mais. Quanto ao wifi paguei 10€ no cartão pra usar durante 24h, apesar de que usei umas 4h e pouco. O que deu um custo bom de uso. Sem contar que fiquei teclando com o meu amore durante um tempão, no final nem sei ao certo quanto, mas foi muito tempo. E ela estava com os amigos estudando em casa, acho que acabei atrapalhando um pouco as coisas, mas eu queria tanto teclar com ela, dia 21, um dia especial pra nós, e foi o segundo que passamos longe, seguido. E outra coisa boa foi o fato de eu ter achado uma tomada pra plugar o Pocket, se não nem teria como usar por tanto tempo. Tive que ficar com ele no colo, porque não era perto da mesa, mas foi tranqüilo. Ele é levinho e pequeno.
Tomei mais um capuccino 1,5€ e depois mais um café 1,5€. Foi bom pra me manter acordado e liberar o peso das moedinhas do bolso. Tinha tanta, mas que não dava nada.
No mais só esperei mesmo, pra depois ficar mais tempo sentado, mas em locomoção. Aí anda um pouco, pega ônibus, anda mais, mais ônibus e casa. Reta final da maratona, coragem e vontade nessas horas.
Como passei o dia acordado direto irei continuar a falar o que fiz aqui mesmo. Lá pelas 7h fui fazer o checkin. Demorei uns 30 minutos. Apesar de ter os pontos de auto-atendimento, achei melhor ir no caixa, por causa da bike e tudo mais. E agora estou quase contando o tempo em minutos para o embarque. Esperei um pouco, passei os portões, tranquilamente, dei uns rolés rápidos pelas lojinhas, mas achei tudo meio caro, só as promoções mesmo que valem a pena, o resto é o preço normal.
Parênteses 1: o dia amanheceu lindo, com um sol brilhante.
2: a bike pesa 19kg.
3: já se foram as 24h acordado direto.
4: quanto mais perto chega da hora parece que o tempo fica mais longo. Quando era meia noite, de repente era 1h, e mais um pouco 2h, mas quando faltava meia hora não passava. 10min então...
Pode ser pelo simples fato de eu já estar mais de 10h no aeroporto, fica meio maçante, mas tudo bem.
Embarquei, me sentei, dormi só alguns minutos, depois não consegui mais. Fiquei vendo filmes, vi três: Scary Move 4, Boa Noite, Boa Sorte e O Matador. O primeiro foi em inglês e os outros dois dublado em português. Até que foram bons os filmes, e o Boa Noite, Boa Sorte é muito bom mesmo. Até que não tinha dormido tanto no cinema de Sampa. No mais, só comi, bebi, fui ao banheiro, estiquei as pernas, escrevi no Pocket, fiquei escutando música, mas o tempo não passava, é muita coisa. E vai ter mais um pouco ainda, mas como eu já disse, coragem.
Uma coisa é certa, apesar da saudade, da distância, do desgaste, dos problemas, eu faria tudo de novo.
No centro aproveitei e fui em busca de alguma padaria pra comprar alguma coisa e levar na viagem, porque imagino que em Paris vai ser pauleira, pedalae e ainda desmontar a bike e tudo mais, nem vai dar tempo pra mais nada. É bom deixar garantido. E foi melhor mesmo, comprei um sandudiche e 4 pain au chocolat, porque tinha uma promoção, levava 4 pain au choco por 1,70€, gastei no total 4,40€. E aí começou uma coisa interessante que iria se repetir mais à frente, na hora que fui pagar, não achava um lugar pra deixar a bike e pegar as moedas no bolso, ainda com a luva, então uma mulher se dispos a segurar, achei estranho, mas sei lá, vai saber. Só que nessa vida nada é de graça mesmo, depois ela pediu dinheiro pra comida. Coloquei a mão no bolso e saiu uma moeda de 0,02€, fazer o quê?! Sorteio é assim mesmo, se tivesse saído uma de 0,5€, mas foi só isso mesmo, ela fez cara feia, mas acho que tá bom. Depois fiquei pensando que seria melhor ter dado um pain au chocolat pra ela.
Dei mais uns rolé pelo centro, passei numas ruazinhas estreitas e obscuras, depois fiquei na praça Martroi, junto a estátua da heroína virginal francesa, Joana D’Arc. Aproveitei pra anotar algumas coisas nos meus papeizinhos, mas o cheiro do esgoto tava meio complicado, acho que passa bem embaixo ali, e tem uma grade, então acho que subia o cheiro, mas é assim mesmo. Pelo menos a estátua dela ao nascer do sol era bem linda, ficava de frente pra ele, a melhor hora pra tirar foto, ainda mais que o dia estava praticamente sem nuvens, uma beleza mesmo. Um bom dia pra guardar de lembrança do Loire.
Já passam das 9h30, em uma hora estarei indo pra Paris onde troco de estação e sigo direto até Amsterdã. Uma pena não parar na Bélgica, mas preferi ficar mais tempo mesmo na França dessa vez. Em outra oportunidade eu faço Bélgica e Holanda, ou apenas um ou outro. Ver as coisas com mais calma e mais detalhes, pra ir saboreando melhor, não só pedalar que nem louco.
O trem chegou, perguntei qual era o vagão pra subir com a bike, ele me indicou e só pediu que eu aguardasse um pouco até que o funcionário desgrudasse o trem do vagão que seria o último. E na hora de subir a bike, com todas as bagagens, outro funcionário da SNCF até ajudou com um belo empurrão, porque subir aquela escada com a bike cheia de coisas não é nada fácil. E ela é larga, às vezes engata na porta, complicado. Dessa vez foi bem tranqüilo. Deixei ela inteira, com todas as bagagens mesmo, apesar de ter anotado que era preciso ensacar a bike. Mas aí não daria tempo pra eu ir de uma estação a outra em Paris, como ninguém reclamou, nem falou nada, até ajudaram a subir e ajeitar a bike a ficar mais firme pra não cair. Totalmente diferente do trem que peguei para Suíça, no qual paguei até multa por ter levado a bicicleta sem reserva, isso que eu avisei que levaria a bicicleta.
Os trens realmente são bem pontuais, cheguei na hora exata em Paris, mas até descer e pegar o rumo vai um certo tempinho. E a viagem foi bem rápida e tranqüila, é muito perto, acho que menos de 150km. A paisagem é aquela de sempre, verde varrido, alguns moinhos de vento modernos que geram energia e dentro do vagão algumas pessoas que só ficam olhando pra fora, outras lendo, uns jovens também lendo, mas era revista Bravo, de fofocas, como as Capricho da vida. E todos eles com seus celulares modernos, cheios de recursos e ficam usando na viagem toda, inclusive pra telefonar, porque os celulares funcionam em praticamente todo o território, esses dias vi uma mulher falando ao celular numa fazenda perdida no meio do caminho, muito bizarro isso. Além do celular, chiclets e máquinas fotográficas digitais, claro, porque isso é um item essencial hoje em dia. Todo mundo tem uma nem que seja mais ou menos pra ficar tirando foto e lotando o PC de fotos. Eu fiquei sentado de costas (pra observar a bike), naqueles bancos duplos, ou seja, fiquei de frente pra um cara que devia ser da Índia ou de algum país daqueles lados de lá, ele tinha daqueles cubos coloridos que vai virando até encaixar todas as cores. E ele era bem rápido nisso, não sei se por prática ou se ele fazia sempre igual, treinou um jeito de embaralhar e decorou os passos. Porque às vezes ele nem olhava pro cubo e conseguia fazer, muito bizarro isso, mas vai saber. De repente ele tem um dom pra isso.
Cheguei na hora em Paris e fui da Gare D'Austerlitz até a Gare du Nord. O trânsito estava horrível, mas como eu estava de bike, tanto faz, porque vou pela pista exclusiva para ciclista. Só fiquei com medo de que chovesse, mas apesar de algumas nuvens, nublado, não houve nenhuma precipitação. E pra variar, a Europa toda em reforma. Verão, eles aproveitam, a Gare estava um canteiro de obras, mas foi tranqüilo entrar lá. Desmontei a bike, guardei e logo vi em qual via o trem iria chegar. Nem peguei carrinho, foi meu erro. Porque pra variar, era o penúltimo vagão, e eram 2 trens grudados, tive que andar muito levando a bike e as malas, nem sei como consegui. Eu não sabia, vi o primeiro vagão era o 22, achei que fosse diminuindo, e como o trem estava meio em curva, nem vi até onde ele ia, fui andando e o número foi aumentando, achei estranho, perguntei se era esse trem mesmo, ele confirmou e disse que era
mais pra frente e lá fui eu carregando todo esse peso e muito ruim de carregar por sinal. Meu braço ficou meio duro, meio sem resposta depois, mas com o tempo, durante a viagem recuperei o movimento natural. Só a mão direita que ainda tá meio estranha devido as marchas que tenho que trocar a toca hora, mas talvez seja a posição muito alta dela, que força meu dedo. Chegando em casa, na hora de montar, vejo isso direitinho.Só sei que deu na estica, subi no trem e as portas fecharam e ele saiu andando. Mais um pouco eu perderia, aí estaria fodido. E um fato a ser ressaltado é que enquanto eu desmontava a bike veio uma pedinte insistente e ficou lá querendo alguma moeda, e eu querendo desmontar tudo e ela me enchendo o saco. Depois ainda vieram mais duas. Imagine se eu der uma moedinha pra cada uma delas, daqui a pouco eu que estou pedindo.
Pouco depois eu fui ao banheiro e bateram na porta, era o cara do ticket, talvez ele achou que eu fosse penetra. Peguei a passagem e mostrei pra ele. Depois comi o sanduíche e os pain au chocolat, porque já tava com fome a essa hora, depois de ter feito um certo exercício.
Como eu tinha muita viagem pela frente e a paisagem passa rápido, nem dá pra ver nada direito, às vezes nem tem o que ver mesmo e mais uma vez eu estava de costas, resolvi fazer um balanço de quantos quilômetros eu já tinha feito de bike. Resultou em 1866,82km, mas ainda faltam uns dados e preciso conferir os outros. Ou seja, foi mais ou menos o que eu havia pensando, 2000km.
Chegando na Bélgica vejo chuva. Quando o trem parou em Bruxelas às 2h20 era chuva mesmo. Ainda bem que nem passei por lá, mas é bom saber que quando eu for tenho que ir mais preparado para o frio e chuva. As cidades são muito próximas, em poucas horas estava em
outro país completamente diferente, isso é muito interessante aqui na Europa. Basta andar um pouco pra mudar muita coisa. Mesmo assim ainda tinha muito trilho pela frente, somando-se as paradas que ele vai fazer, demora um pouco ainda. O que me resta é esperar, olhar as pessoas, olhar o verde-varrido e descansar um pouco. Fui ao banheiro de novo, porque é sempre bom descarregar as coisas que não nos interessam mais e aliviar o peso.É até interessante pensar que daqui a pouco estarei num país totalmente diferente e dentro de mais algumas horas estarei no Brasil, em casa. Depois desses 30 dias longe, sozinho, me virando como dava, uma coisa de louco isso, toda essa experiência, fotos, fatos, vídeos. Daqui pra frente não sei se irei entrar em contato com alguém antes de chegar em Sampa, acho que só lá mesmo. Mas pelo menos deixei todos avisados que estava tudo certo e eu ia chegar em casa no dia previsto mesmo, com todas as coisas. Não vejo a hora de poder ligar pro meu amore e dizer: cheguei! Aí vamos matar um pouco a saudade que já é muita, porque faz um mês e meio que estamos longe, isso é muito tempo pra nós, mas na medida do possível vamos acostumando.
Até Amsterdã passei por muitos trechos que chovia muito, comecei a ficar preocupado com relação ao camping e mesmo como andar pela cidade com chuva, não é uma coisa muito agradável quando não se está preparado pra isso. Para minha alegria o trem chegou pontualmente e o tempo estava bom, apesar de umas nuvens escuras por perto. Desci todas as bagagens e a bike. Dei início ao processo de montagem, levei uns 40 minutos e a roda da frente não ficou muito boa, ficou raspando novamente no freio, não consegui ajeitar e também mais algumas poucas horas estaria desmontando-a novamente pra transportar no avião. Então fui assim mesmo.
Aí começaram os problemas. Fui procurar informação na Gare, mas não encontrava. Em frente, do outro lado da rua, achei uma placa de informações turísticas. Cheguei lá e estava fechado, mas tinha uma máquina que vendia mapa da cidade a 2€, resolvi comprar, porque assim ficaria bem mais fácil pra mim. Problema dois: no mapa não constava o endereço que eu tinha do camping. Não tinha a menor idéia de onde ele ficava. O mapa mostrava bem o centro e pontos turísticos, mas como o camping ficava mais retirado, não contava no mapa. Depois descobri que era perto do aeroporto. Problema três: chuva. Começou a chover. Chover forte. Voltei pra Gare e fui procurar novamente por informações. Dessa vez rodei, rodei e encontrei. E realmente o mapa tem que comprar, eles não fornecem como nos Office de Turisme da França. Mas também esse não era tão caro assim. E quando eu voltar já terei o mapa. Pedi pra moça informações sobre albergue e camping. Pra reservar nos albergue que ainda tivesse vaga, porque a maioria estava lotado já, tinha que pagar 3,5€ e depois mais a diária. E nos campings tinha que ir vendo. Pensei em ir no perto do aeroporto, mas com essa chuva ia ser uma nhaca pra montar e desmontar logo cedo.
Ainda esperava a chuva passar. Olhei no mapa com os campings da cidade que peguei no balcão de informações qual a direção que deveria pegar. Mas pelo avanço das horas, distância, complicações de montagem e desmontagem na chuva, resolvi então fazer uma coisa mais prática, porém não muito recomendável de se fazer sempre: ir direto ao aeroporto e esperar.
Saí do centro, da estação, mais ou menos às 20h, fui indo tranquilamente, sem pressa, pra ver um pouco da cidade, até tirar umas fotos só pra dizer que passei por lá e registrar o tanto de bicicletas que tem. Muito legal isso, nunca vi tanta bike assim, parece que só tem bicicleta na cidade. Me perdi um pouco também naquele monte de canais, mas depois que peguei o rumo certo não tive mais problemas, eu acho que estava olhando o mapa ao contrário do que era, aí não tinha como chegar mesmo. Já estava escurecendo por causa das horas e do clima, então nem deu pra tirar mais fotos depois de uma certa hora. Foi só pedalar pra chegar ao aeroporto mesmo. Mas antes coloquei uns plásticos na bike porque parecia que vinha mais chuva pela frente, e é sempre bom estar garantido. Um pouco mais pra frente um ciclista veio falando comigo em holandês, não entendi nada, depois ele falou em inglês, aí deu pra manter uma comunicação básica. Ele queria saber se eu tava vindo ou indo, de onde vinha, essas coisas. Aproveitei e perguntei se pra chegar no aeroporto era por essa direção mesmo, ele confirmou e eu fui indo. E também tinha placa que indicava a direção para quem estivesse indo de bicicleta. Um pouco mais pra frente começou uma garoa fina, aumentou um pouco, mas não passou disso. Estava meio constante e molhou um pouco. Mas ia secar rápido. Peguei a rua Amistel inteira, vários bares que vendem a cerveja com esse nome. Seguindo o canal fui indo, indo e indo. Era bem longe mesmo, porque dava muita volta, tinha muita curva, mas eu tinha tempo e era de graça. E assim foi uma forma de pedalar em Amsterdã. Eu andei mais do que o esperado. Já tinha feito uns 20km quando apareceu uma placa indicando mais 13km até o aeroporto. Mas era muito tranqüilo de pedalar por lá, sem subidas ou descidas, sem vento forte, uma maravilha, por isso tem tanta bike no país. Num ponto mais próximo ao aeroporto tinha 3 indicações, não sabia qual seguir, fui numa vi que não ia dar em nada. Voltei na outra, mas acabei chegando no hangar de manutenção e escritórios da KLM. Só restou a última alternativa que deu certo, claro. E era bem longe ainda, uns 6km. Mas também, só pra contornar o estacionamento que é gigante, foram uns 4km. Sei que ao todo, no dia, fiz 56,46km em 4h11, deu bastante tempo porque a maioria eu ia empurrando e depois andando devagar pra não respingar a água acumulada no chão por causa da chuva. Cheguei ao aeroporto só às 22h30. Demorei mais do que imaginei. Comecei achar bom ter ido direto, assim poderia fazer tudo com calma e tranqüilidade, evitar problemas e atrasos. Comecei a desmontar a bike e organizar as bagagens, troquei algumas coisas de bolsas, deixei o essencial na mão e o resto despachei. E a bike eu encaminhei no setor de cargas com medidas especiais, mas ninguém me cobrou nada, não sei se pago na hora que chegar não entendi, só sei que é melhor assim.
Tive um monte triste no aeroporto. Fiquei olhando minhas garrafas de água que me acompanharam por quase todos os 30 dias, me hidratando durante o percurso. Pensei em leva-las pra casa, de lembrança, mas não tinha onde levar. Elas ocupam muito espaço. Não tive outra alternativa se não jogá-las no lixo. Foi uma cena triste, mas necessária.
Terminei de arrumar tudo era quase meia noite, se for ver o tempo que demorei pra chegar até a hora de estar com tudo pronto pra embarcar não sei se daria certo se eu tivesse feito como o planejado, de ficar num albergue, acordar umas 7h, tomar café e sair. Capaz de não dar tempo. E se chovesse ou se acontecesse algum imprevisto, aí sim eu estaria ferrado. O único inconveniente foi não ter tomado banho, mas de qualquer forma ficaria um bom tempo sem banho, e iria pedalar e desmontar e organizar as coisas mesmo, no fim nem mudou tanto assim.
E quanto a ver a cidade, já era noite mesmo, e de manhã não ia dar pra ver muita coisa, não tinha o que fazer mesmo além de esperar. Deu pra ter uma boa noção da cidade e acho que ter ido ao aeroporto direto foi o melhor mesmo nesse caso. Se eu tivesse só uma mochila, poderia ter optado por ir de metro, ônibus, logo cedo, mas pedalando tudo fica mais complicado. Como ficar em camping de bike, demora muito pra se organizar e eu ainda iria pedalando, talvez me perderia, ia ser um sufoco, tudo na correria, poderia dar algum problema e até perder o vôo.
Comecei a sessão cafeína. Comprei uma garrafa 0,5cl de coca e um croissant, paguei 5,45€ e o croissant era horrível. Só tinha preço. Tem até o Burguer King, um pouco mais caro que na estação do centro. Mas isso de novo não. E no avião eu como mais. Apesar de ainda ter bastante tempo pela frente.
Já são quase uma hora da manhã, fui escovar os dentes, porque fiquei com a necessaire juntamente com os copos da Coca e os eletrônicos na bolsa de mão. Que além de ser o principal, é o mais frágil. Os dentes pelo menos eu limpei, porque tava precisando, só o banho e a barba mesmo que não teve jeito.
E lá se foram os 30 dias, agora faltam umas poucas horas apenas para o embarque, depois tem mais uma pequena maratona e casa, comida e banho.
Como eu tinha tempo e não tava afim de dormir, resolvi ver se tinha conexão wifi no aeroporto, assim, de graça, porque ter eu sabia que teria. E de graça lá só o ar pra respirar mesmo, e os banheiros, ainda bem. Pude ir várias vezes, pra escovar os dentes e tudo mais. Quanto ao wifi paguei 10€ no cartão pra usar durante 24h, apesar de que usei umas 4h e pouco. O que deu um custo bom de uso. Sem contar que fiquei teclando com o meu amore durante um tempão, no final nem sei ao certo quanto, mas foi muito tempo. E ela estava com os amigos estudando em casa, acho que acabei atrapalhando um pouco as coisas, mas eu queria tanto teclar com ela, dia 21, um dia especial pra nós, e foi o segundo que passamos longe, seguido. E outra coisa boa foi o fato de eu ter achado uma tomada pra plugar o Pocket, se não nem teria como usar por tanto tempo. Tive que ficar com ele no colo, porque não era perto da mesa, mas foi tranqüilo. Ele é levinho e pequeno.
Tomei mais um capuccino 1,5€ e depois mais um café 1,5€. Foi bom pra me manter acordado e liberar o peso das moedinhas do bolso. Tinha tanta, mas que não dava nada.
No mais só esperei mesmo, pra depois ficar mais tempo sentado, mas em locomoção. Aí anda um pouco, pega ônibus, anda mais, mais ônibus e casa. Reta final da maratona, coragem e vontade nessas horas.
Como passei o dia acordado direto irei continuar a falar o que fiz aqui mesmo. Lá pelas 7h fui fazer o checkin. Demorei uns 30 minutos. Apesar de ter os pontos de auto-atendimento, achei melhor ir no caixa, por causa da bike e tudo mais. E agora estou quase contando o tempo em minutos para o embarque. Esperei um pouco, passei os portões, tranquilamente, dei uns rolés rápidos pelas lojinhas, mas achei tudo meio caro, só as promoções mesmo que valem a pena, o resto é o preço normal.
Parênteses 1: o dia amanheceu lindo, com um sol brilhante.
2: a bike pesa 19kg.
3: já se foram as 24h acordado direto.
4: quanto mais perto chega da hora parece que o tempo fica mais longo. Quando era meia noite, de repente era 1h, e mais um pouco 2h, mas quando faltava meia hora não passava. 10min então...
Pode ser pelo simples fato de eu já estar mais de 10h no aeroporto, fica meio maçante, mas tudo bem.
Embarquei, me sentei, dormi só alguns minutos, depois não consegui mais. Fiquei vendo filmes, vi três: Scary Move 4, Boa Noite, Boa Sorte e O Matador. O primeiro foi em inglês e os outros dois dublado em português. Até que foram bons os filmes, e o Boa Noite, Boa Sorte é muito bom mesmo. Até que não tinha dormido tanto no cinema de Sampa. No mais, só comi, bebi, fui ao banheiro, estiquei as pernas, escrevi no Pocket, fiquei escutando música, mas o tempo não passava, é muita coisa. E vai ter mais um pouco ainda, mas como eu já disse, coragem.
Uma coisa é certa, apesar da saudade, da distância, do desgaste, dos problemas, eu faria tudo de novo.




1 Comments:
Que coisa maravilhosa para se ver e sentir: muitas bikes, menos poluição, vielas sinuosas e obscuras que nutrem a curiosidade do ir além...Ir ao Eu!
A casa é sempre o regresso, e ela sempre se torna pequena, ainda que grande...
O wanderer bikero também precisa da casa, apesar da casa ser tantas vezes a própria bike!
Eu me sinto além do mundo dos homens quando pedalo. É como se tudo fosse paz e caminho do infinito. A linha do horizonte comove-me muito, e o fato de eu não poder vê-la causa em mim um sentimento de ruptura, de perda íntima daquilo que sou.
Eu pude viajar muito nestas paisagens do Emir que pedala longe! Amigo, que maravilha tudo isto! Obrigado pelo presente!
12:36 AM
Postar um comentário
<< Home